O desprezo da pátria por via do desprezo da língua
Há patriotismo e há nacionalismo travestido de patriotismo. Eu considero-me patriota, sei bem, quando estou cá dentro, onde estão os meus pés, em que solo piso e como esse solo me faz, e quando estou fora como falta sempre qualquer coisa. Cosmopolitismo é uma boa coisa e faz-nos muita falta, mas ser patriota e cosmopolita nada tem de contraditório porque a gente espreme, espreme e, sem diminuir o mundo, há sempre algo que nos molda antes do mundo: a pátria. Às vezes, quando falava desta diferença, citava algo que li há muito tempo sobre o teatro Nô japonês, sobre as personagens que estão vivas e os fantasmas: as primeiras mantinham os pés no chão, os segundos levantavam-nos como se levitassem. Procurei para este artigo uma referência e não encontrei nenhuma, vai como está na minha memória.Os leitores são a força e a vida do jornalO contributo do PÚBLICO para a vida democrática e cívica do país reside na força da relação que estabelece com os seus leitores.Para continuar a ler este artigo assine o PÚBLICO.Ligue – nos através do 808 200 095 ou envie-nos um email para assinaturas.online@publico.pt.










