CIÊNCIA

No páreo do <em>The Voice Portugal</em>, luso-brasileiro ignora os <em>haters</em> e só quer cantar

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Com a canção Todo Tempo do Mundo, de Rui Veloso, o luso-brasileiro Bruno Batista, 21 anos, soltou a voz — com sotaque lusitano — e foi aprovado na audição às cegas, no último domingo (26/10), da 13ª edição do The Voice Portugal.O artista, que é filho de uma brasileira e de um português, retornou no ano passado a Lisboa, onde nasceu e viveu até os 12 anos, quando sua mãe teve de regressar para São Paulo. “A minha avó ficou muito doente e, por isso, a minha mãe, que veio para Portugal em 2002, mas já separada do meu pai, precisou voltar comigo para Brasil”, conta ele.Bruno, cujo apelido é Zeggie, porém, resolveu cruzar o Atlântico novamente com o objetivo de se tornar um cantor profissional. “Eu voltei para Portugal com a intenção de botar a minha cara em todos os lugares que pudesse. E a minha madrasta, que acompanha o The Voice, insistiu muito para eu me inscrever no programa. A minha mãe, que continua no Brasil, também. Então, sem pretensão nenhuma, eu me inscrevi e acabei sendo selecionado”, vibra.Se vencer a atual versão do The Voice Portugal 2025 — que estreou em setembro passado, na RTP1, e tem final marcada para dezembro deste ano —, Bruno levará para casa um carro zero quilômetro e um contrato com a Universal Music. “O meu principal objetivo é esse. Quero divulgar minhas composições”, avisa o participante. Entre os mentores Sara Correia, Fernando Daniel, Sónia Tavares e o Calema, ele escolheu o grupo formado pelos irmãos Fradique e António, de São Tomé e Príncipe.


Bruno Batista, que nasceu em Lisboa há 21 anos, quer divulgar suas composições
Gonçalo Filipe

Vontade de ser artistaEstudante do segundo ano de jazz e música moderna da Universidade Lusíada, na capital portuguesa, ele conheceu a instituição quando, depois de quatro anos em São Paulo, foi morar com a mãe na Bahia. “Uma turma da faculdade foi fazer uma apresentação em Salvador. Quando vi aquilo, botei na minha cabeça que queria voltar para Portugal para me formar na Lusíada. E, em paralelo, começar a minha carreira musical”, frisa ele, que é neto de Arnaldo Vieira de Souza, um dos músicos do Demônios da Garoa, famoso grupo de samba formado em São Paulo, em 1943. “Mas, infelizmente, não cheguei a conhecê-lo. Quando eu nasci, ele já tinha falecido”.Bruno ressalta que teve a certeza de que queria tornar sua arte conhecida do grande público depois de sua passagem pela capital baiana. “Eu comecei a tirar as minhas primeiras músicas no violão em São Paulo. Mas, em Salvador, tive a certeza de que eu queria isso para sempre. Via outros artistas, a vida que eles levavam e a gratidão que tinham por saber que as suas músicas eram amadas pelas pessoas”, reflete o lisboeta, que admite ter um estilo bem misturado. “É sempre dentro do R&B, mas tem muitos ritmos baianos”, frisa.Ele garante que canta com sotaque brasileiro também, inclusive, usado por ele durante esta entrevista. E garante que não vê dificuldade em fazer isso. “É como cantar em outro idioma”, define. O intérprete não acredita que o fato de ser luso-brasileiro atrapalhe a sua trajetória no programa. “Eu tenho uma história que representa a de várias pessoas. Há muitos imigrantes em Portugal. Há muita gente do Brasil que vem para cá”, enfatiza.Porém, nem por isso, o cantor deixa de ser alvo de haters. “Já vi uma série de comentários negativos (nas redes sociais), mas faz parte. Realmente, isso não me deixa para baixo. Eu sei que há muita desinformação em relação a esse assunto. Mas temos um papel importante na sociedade portuguesa. E estou consciente que não faço mal a ninguém”, pontua.Bruno aprendeu a tocar violão sozinho, aos 13 anos, por causa de uma menina na escola. “Não consegui conquistá-la, mas, a partir daquele momento, senti que poderia viver de música”, revela. Na próxima etapa do The Voice Portugal, quando começam as batalhas entre os times, o que Ziggie precisa é conquistar os mentores do programa. E, na grande final, o público de casa.
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