Ben Cohen, co-fundador da Ben & Jerry’s, vai lançar gelado pró-Palestina e precisa de ajuda
A Unilever, empresa que detém a Ben & Jerry’s desde 2000, impediu a marca de lançar um sabor de gelado que expressasse “solidariedade com a Palestina”. Foi o próprio Ben Cohen, co-fundador da Ben & Jerry, que o declarou. Por isso, o empresário aproveitou para anunciar que vai criar esse mesmo sabor de forma independente. Recorde-se que a Ben & Jerry’s é conhecida pelo seu activismo, manifestando-se constantemente sobre assuntos políticos, sociais, ambientais e humanitários.Num vídeo publicado no Instagram, Ben Cohen avança que está a criar um novo gelado com sabor a melancia. Esta fruta é um símbolo de solidariedade para com os palestinianos devido às suas cores serem as da bandeira palestiniana — vermelho, verde, preto e branco. “Estou a fazer o que eles não conseguiram”, afirma no vídeo. “Estou a fazer um gelado com sabor a melancia que clama pela paz permanente na Palestina e pela reparação dos danos causados”. Cohen pede a quem o vê que envie sugestões de ingredientes e mas também de design para as embalagens, acrescentando que os vencedores terão “o seu sabor produzido e o design impresso”.Este gelado será desenvolvido sob a égide da Ben’s Best, a marca activista de gelados, criada em 2016 para apoiar o ex-candidato à presidência dos EUA, Bernie Sanders, com o sabor “Bernie’s Back”. E outros sabores estão já pensados, propostas que foram recusadas pela Unilever, diz o empresário.
Em Setembro, Jerry Greenfield, o outro dos co-fundadores da Ben & Jerry’s e cujo nome ajudou a moldar a popular marca de gelados, abandonou a empresa, anunciou na altura, Ben Cohen. A saída de Greenfield deu-se após o aprofundar do desentendimento com a Unilever devido à sua posição sobre o conflito em Gaza. Na altura, Ben Cohen justificou a saída: “Jerry tem um coração muito grande e este conflito com a Unilever estava a parti-lo.” Já no seu caso, acrescentou à BBC: “O meu coração leva-me a continuar a trabalhar dentro da empresa para defender a sua independência, para que ela possa concretizar a missão social, os valores em que foi fundada e que mantém há mais de 40 anos.”
Reacção da UnileverAgora, após a decisão de Ben Cohen, um porta-voz da Magnum Ice Cream Company, a divisão de gelados da Unilever, afirmou que a empresa determinou que “este não é o momento certo para investir no desenvolvimento deste produto”. E acrescentou, referindo-se aos dois fundadores: “Os membros independentes do Conselho da Ben & Jerry’s não são, nem nunca foram, responsáveis pela estratégia comercial e pela sua execução.”Este episódio já não é a primeira disputa entre a mundialmente famosa fabricante de gelados e a Unilever, gigante britânica de bens de consumo. Em 2021, a Ben & Jerry’s recusou vender os seus produtos em zonas ocupadas por Israel. A sua operação israelita foi vendida pela Unilever a uma licenciada local, permitindo que o seu gelado continuasse a ser consumido na Cisjordânia ocupada.Em Novembro de 2024, os administradores independentes da Ben & Jerry’s apresentaram um processo acusando a empresa-mãe de impedir a fabricante de gelados de se manifestar em apoio dos refugiados palestinianos.A Ben & Jerry’s foi fundada por Ben Cohen e Jerry Greenfield, dois amigos de infância, numa antiga estação de gasolina, em 1978, transformada numa geladaria, em Burlington, Vermont. A responsabilidade e a consciência social caracterizam a missão da marca, mesmo após, em 2000, esta ter sido comprada pela Unilever.










