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Senado dos EUA aprova resolução para bloquear tarifas de Trump ao Brasil

O Senado norte-americano aprovou, na noite desta terça-feira, uma resolução que anula as tarifas alfandegárias impostas ao Brasil. A medida, que dificilmente entrará em vigor, representa, contudo, um teste dos democratas à disposição dos republicanos de apoiar a política comercial de Donald Trump.A proposta do senador democrata Tim Kaine, da Virgínia, foi aprovada com 52 votos a favor (e 48 contra) na câmara alta do Congresso. No entanto, a resolução, que visa acabar com as emergências nacionais declaradas por Trump — usadas para justificar tarifas de 50% sobre importações do Brasil — parece estar condenada ao fracasso, já que a Câmara dos Representantes (câmara baixa), controlada pelos republicanos, aprovou novas regras que permitem impedir a votação. Mesmo que passasse pelo Congresso, a legislação seria vetada por Trump, segundo a agência Associated Press (AP).A votação demonstrou alguma resistência nas fileiras republicanas contra as tarifas de Trump. Para além dos democratas, votaram a favor da resolução cinco republicanos: os senadores Susan Collins, do Maine, Mitch McConnell e Rand Paul, do Kentucky, Lisa Murkowski, do Alasca, e Thom Tillis, da Carolina do Norte.Kaine disse que as votações são uma forma de forçar um debate no Senado sobre “a destruição económica das tarifas” e acrescentou que planeia apresentar, ainda esta semana, resoluções semelhantes, aplicadas às tarifas de Trump sobre o Canadá e outras nações.Trump relacionou as tarifas ao Brasil com as políticas do país e com o processo criminal contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, seu aliado. Washington teve um excedente comercial de 6,8 mil milhões de dólares (5,8 mil milhões de euros, à taxa de câmbio actual) com o Brasil no ano passado, de acordo com estatísticas oficiais.“Todos os norte-americanos que acordam de manhã para tomar uma chávena de café estão a pagar um preço pelas tarifas imprudentes, ridículas e quase infantis de Donald Trump”, frisou também o líder democrata do Senado, Chuck Schumer.Em Abril, quatro republicanos votaram com os democratas para bloquear as tarifas ao Canadá, mas o projecto de lei nunca foi analisado na câmara baixa. Kaine disse esperar que as votações desta semana mostrem como a oposição republicana à política comercial de Trump está a crescer.Para promover as votações, Kaine invocou uma lei que existe há décadas, que permite ao Congresso bloquear os poderes de emergência de um presidente e aos membros do partido minoritário forçar a votação das resoluções.O vice-presidente norte-americano, J.D. Vance, compareceu nesta terla-feira a um almoço republicano, em parte para enfatizar aos líderes do partido que devem permitir que o Presidente negoceie acordos comerciais. Vance disse mais tarde aos jornalistas que Trump está a usar tarifas “para dar aos trabalhadores e agricultores norte-americanos um acordo melhor”. E acrescentou: “Votar contra isto é retirar esta incrível influência ao presidente dos Estados Unidos. Acho que é um grande erro.”


Também o Supremo Tribunal analisará em breve um processo que questiona a autoridade de Trump para impor tarifas amplas. Instâncias inferiores já consideraram a maioria dessas tarifas ilegais. Alguns republicanos sublinharam, por isso, que vão esperar pelo desfecho deste caso antes de votarem contra as medidas do Presidente.Kaine planeia também apresentar uma resolução para colocar um travão à capacidade de Trump de realizar ataques militares contra a Venezuela, à medida que as Forças Armadas dos EUA intensificam a sua presença e operações na região das Caraíbas.O senador destacou que a medida permitirá aos democratas deixarem a defensiva, mesmo em minoria, e, em vez disso, forçar votações em “pontos de desconforto” para os republicanos.

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