Entre os vinhos e a natureza: o olhar de dois guias brasileiros sobre o Douro
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Os brasileiros Caio Maia e Diego Di Stefano transformaram o amor pela natureza, a cultura e os vinhos em profissão e propósito. Eles são guias de passeios em uma empresa dedicada a experiências turísticas que aliam sustentabilidade, tradição e hospitalidade e se especializaram em transportar visitantes de várias partes do mundo, contando histórias que envolvem o rio Douro, no Norte de Portugal.Caio nasceu em Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro, e vive em Portugal desde 2017. Após quase seis anos em Faro, no Algarve, mudou-se para Tourencinho, pequena aldeia próxima a Vila Pouca de Aguiar, no Norte do país. No Brasil, trabalhou como guia de mergulho turístico e, em Portugal, tornou-se guia de passeios.“Trago comigo não só a experiência profissional do Brasil, mas também a de vida. O contato com diferentes pessoas e realidades desenvolveu em mim a empatia, a flexibilidade e uma comunicação leve e acolhedora”, afirma. Essas qualidades, acrescenta, fazem a diferença no trabalho com o turismo.O carioca trabalha na Marma Slow, empresa com uma equipe de seis pessoas, sendo três sócios-gestores e três funcionários. Entre eles, Caio e Diego. Além de portugueses, Caio diz que atende visitantes norte-americanos, franceses, ingleses, espanhóis e alemães — e uma média de dois a três brasileiros por mês.História vivaBiólogo marinho de formação, Caio estudou na Universidade do Algarve, onde também atuou como mergulhador científico. Atualmente, cursa o mestrado em gestão e sustentabilidade em turismo na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD). Sua abordagem nos passeios é marcada pela conexão entre o passado e a natureza, ressalta.
O brasileiro organiza as narrativas que conta em três camadas: a história do Douro, as quintas e famílias que moldaram a paisagem e os detalhes culturais do Porto e de Vila Nova de Gaia. “Gosto de mostrar como a paisagem e o trabalho humano estão entrelaçados”, ressalta.Mais do que um passeio, Caio busca proporcionar, aos turistas, experiências com propósito. Ele afirma que o turismo pode ser uma ferramenta de regeneração territorial e que, quando serve nos passeios vinhos e frutas locais, está dando apoio à economia regional e reforçando a identidade cultural do Douro.Paixão e orgulhoO colega brasileiro de Caio, o paraibano Diego Di Stefano nasceu em João Pessoa e hoje vive entre as cidades de São João da Madeira e Peso da Régua, ambas no Norte de Portugal. Ele é filho de pai brasileiro, mãe portuguesa e, durante a infância, viveu entre Brasil, Portugal, Itália e Suíça. Essa diversidade de vivências, garante ele, moldou tanto a curiosidade quanto a capacidade de se comunicar com pessoas de diferentes origens.Hoje, Diego é coordenador de experiências e operações, comandante de embarcação e guia turístico na Marma Slow. “Ser brasileiro e português me permite ter um olhar duplo sobre o Douro: a paixão de quem descobre e o orgulho de quem pertence”, destaca Diego.Licenciado em línguas e relações internacionais pela Universidade do Porto, o paraibano tem um discurso que mistura conhecimento técnico, sensibilidade e poesia. Gosta de contar como o vale é protegido pelas serras do Marão e de Montemuro e como o xisto e o granito influenciam a qualidade dos vinhos. “O Douro é um diálogo entre natureza e esforço humano”, resume.O valor das pessoasPara Diego, cada passeio é único. Ele adapta suas histórias às reações dos visitantes, muitas vezes misturando inglês e espanhol. “Já vivi momentos desafiadores, como um dia de ventos fortes em que um cliente americano me ajudou a atracar o barco. Transformou-se numa experiência de verdadeira partilha”, relembra.Tanto Diego quanto Caio destacam o papel das pessoas que constroem o turismo local: marinheiros, motoristas, produtores, sommeliers e guias. “Há um espírito de entreajuda e profissionalismo que engrandece a região. A natureza do Douro ensina-nos a partilhar a verdadeira riqueza da vida”, frisa.
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