TECNOLOGIA

Recebes elogios no trabalho e só ganhas… mais trabalho? É o “crescimento fantasma”

Estás constantemente a receber elogios pelo teu trabalho, mas, na prática, isso não se traduz em promoções ou aumentos salariais? Não és caso único. A plataforma de emprego My Perfect Resume fez um inquérito a mil norte-americanos e reportou que 63% dos trabalhadores dizem já ter sentido o mesmo — um fenómeno a que chamam “ghost growth” ou, em português, crescimento fantasma.O relatório diz que 78% dos inquiridos dizem ter sido designados para novas funções sem terem recebido um aumento ou promoção e só 15% receberam um aumento que reflecte o seu crescimento na empresa onde trabalham.Por cá, ainda que o termo não seja usado, o que ele significa multiplica-se por várias empresas. Helena Faria, consultora sénior de carreira na Upper Side e responsável dos Serviços de Carreira do ISEG, refere que este “crescimento fantasma” pode acontecer em diferentes locais de trabalho, mas que, de modo geral, “quanto maior a empresa for, maior é a possibilidade de progressão”.“[A progressão de carreira] Depende muito da cultura e das políticas de recursos humanos de cada empresa. Muitas têm normas que dizem que as pessoas têm de rodar, assumir novas funções, algumas até convidam as que atingem o topo de carreira aqui para assumir funções internacionais. Mas depende também da dimensão da empresa. Nas mais pequenas, geralmente, não há tantas possibilidades de as pessoas progredirem, porque não há muito por onde crescer”, aponta.E isso pode acabar por levar a situações em que os trabalhadores “vão assumindo mais responsabilidades e mais trabalho, mas continuam sempre no mesmo patamar”.


A estagnação salarial e de funções pode trazer consequências para os próprios trabalhadores, mas também para as empresas, que poderão vir a sentir os efeitos de uma equipa desmotivada. “Pessoas mais desmotivadas tendem a ser menos produtivas e a entregar menos. Não vendo possibilidades de progressão, acomodam-se e não dão o extra mile”, refere Helena Faria.Mas há, por outro lado, quem esteja disponível para dizer que sim, mesmo sem incentivo. De acordo com o mesmo inquérito, 35% dizem nunca ter sido compensados de forma justa pelo aumento da carga de trabalho e só 15% dizem ter recebido um aumento durante o último ano que reflecte o seu crescimento profissional.“Essas pessoas — e as chefias sabem quem elas são — mantêm-se na mesma categoria profissional, com o mesmo salário, mas estão sempre a ser solicitadas para novos projectos, novas responsabilidades, acabam por ter sempre mais trabalho e podem chegar ao burnout, já que trabalham muito mais do que o que é suposto para a sua função e nível salarial.”E o que deve alguém nesta situação fazer? “Penso que deve tentar mudar de emprego”, afiança a orientadora de carreira. “Se há este reconhecimento — porque se a empresa está constantemente a pedir mais envolvimento há um reconhecimento implícito —, mas isso não se materializa num aumento ou noutra determinação de função, devem procurar mudar ou procurar ajuda, se não forem capazes de o fazer sozinhas.”E talvez o mais rapidamente possível. Helena Faria recorda que estar “anos e anos a fazer o mesmo”, na mesma empresa, pode tornar os trabalhadores em candidatos “menos competitivos e empregáveis”, já que “têm um conjunto de competências muito mais limitado”.Não há uma receita mágica, mas sectores como o “farmacêutico, tecnológico, do FMCG (Fast-Moving Consumer Goods) podem tendencialmente pagar melhor”, afiança. As empresas internacionais, de modo geral, são também as que oferecem melhores salários ou planos de carreira mais estruturados: “Muitas já sabem que ao fim de dois ou três anos [o trabalhador] pode evoluir para junior manager, depois para senior manager… as pessoas sabem com o que podem contar em termos de progressão, que é acompanhada por aumento salarial.”Por cá, “algumas empresas nacionais de grande dimensão já têm cargos de direcção muito bem pagos, mas para os mais técnicos ainda há um grande desfasamento”, refere, salvaguardando que existem excepções. “E ainda que possa haver alguma estruturação dos níveis salariais e das funções, ainda pode ser tudo pouco transparente e permeável a outros critérios.”

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