Volvo EX30 Cross Country: o que era bom tornou-se melhor (mas mais caro)
Se o Volvo EX30 foi uma boa surpresa, o EX30 Cross Country adopta todos os atributos que fizeram do pequeno crossover da Volvo um sucesso, juntando-lhes protecção extra, que pudemos comprovar quando a navegação nos mandou, literalmente, para caminhos de cabras.Não é que nos sintamos capazes de enfrentar uma prova dura de todo-o-terreno, mas quando nos deparamos com um troço de terra batida, no meio de uma estrada alcatroada, com profundas valas, é fácil não nos amedrontarmos: basta um pouco de atenção e de calma, e — alguns palavrões depois (contra o sistema de navegação, esclareça-se) — estamos de regresso ao asfalto como se não se tivesse passado nada. Teste das aptidões off-road: passou, e com distinção.Isso foi possível pelo facto de a versão Cross Country do EX30 não ser apenas uma versão de saias arregaçadas. É certo que tem mais 90mm de distância ao solo, mas também surge com um apropriado revestimento, que protege a carroçaria das agruras do todo-o-terreno. Tal como, na história da Volvo, já vimos outros modelos, em que a adopção da designação Cross Country era reveladora de mais e melhores atributos para enfrentar as adversidades.No caso do EX30, também se conta com dois motores, o que significa tracção integral e, claro, mais uns pozinhos de potência, que se nota bem quando se pretende realizar uma ultrapassagem, por exemplo, ou quando apenas se pretende rolar um pouco mais depressa, sem pensar nos consumos e consequente autonomia, alturas em que demonstra ter poder suficiente para não deixar ninguém entediado, sendo extremamente rápido em recta, sem que o conforto seja prejudicado. Os dois motores produzem em conjunto 422cv e o tempo de aceleração está mais em linha com um desportivo do que com um modelo de características utilitárias: vai de 0 a 100 km/h em escassos 3,7 segundos.
Volvo EX30 Cross Country — interior
Cortesia Daniel Ahlgren
Longe do alcatrão não será esta característica a mais abonatória, mas antes a distância ao solo aumentada e uma suspensão suave e competente, que absorve muito bem os solavancos e demais irregularidades sem castigar o corpo. Em auto-estrada, quando se pisa o acelerador, é notável o silêncio, mas também a forma progressiva do seu rolamento, estando longe de poder ser descrito como um bruto.E, já que se está a falar de coisas bem conseguidas, a condução de um pedal, da qual, confesso, não sou fã, terá sido uma das melhores que experimentei. É que, mesmo quando nos cansamos dela (até porque, em viagem, é tão mais fácil deixar o carro ir embalado, sem que tenhamos de estar sempre a pressionar o pedal do acelerador), acabou por se revelar útil em situações em que era possível antecipar a necessidade de travar: bastava carregar no botão, bem visível no ecrã, para sentir o automóvel a desacelerar de forma controlada. Um mecanismo muito útil, por exemplo, em estradas com muitas curvas apertadas, em que a travagem de regeneração ajuda a manter a compostura da carroçaria, que, sentimos em alguns momentos, parece adornar ligeiramente mais do que o desejado.No que o EX30 Cross Country dificilmente conseguirá competir com o EX30 de duas rodas motrizes é no preço ou na autonomia. É que, embora recorra a uma bateria de igual capacidade — 65 kWh —, o peso extra e a configuração da carroçaria, mais elevada, prejudicam consumos e consequente alcance: 436 quilómetros (com a mesma bateria, o EX30 atinge os 475 quilómetros).Ainda que, deixo a ressalva, com uma viagem de mais de 400 quilómetros pelo meio do teste, o que exigiu duas paragens de uns 15 minutos em postos ultra-rápidos e um carregamento doméstico durante a noite, isso não tenha sido um problema. É que, quando se fala em recarga rápida, é mesmo um “tirinho”: entrar numa estação de serviço, lavar as mãos, pedir café, responder a duas ou três mensagens e energia suficiente para mais 150 quilómetros.Elegante e despojadoO EX30 alinha com a restante gama Volvo ao se apresentar sem grandes manias. A qualidade, é fácil de perceber, é muito boa, assim como a solidez da construção. Mas não há muitos floreados, com a marca a optar por uma sobriedade inegável, ainda que cada detalhe não se perca no aborrecimento. Exemplo disso é o suporte para copos, sabiamente oculto sob o encosto do braço: basta um toque para que salte para fora. Ou o porta-luvas, localizado ao centro, que passa totalmente despercebido.O menos é mais da Volvo também pode ser um problema para alguns, que criticam a marca por ter anulado o painel de instrumentação. E, na verdade, a primeira vez que conduzimos um EX30 foi estranho. Lá diz o ditado que o estranho também se entranha, e desta feita tudo nos pareceu mais intuitivo, sem que a ausência do ecrã de instrumentos tenha sido um problema.
Volvo EX30 Cross Country — interior
Cortesia Daniel Ahlgren
As informações desenham-se no ecrã central, de 12,3 polegadas, cujo software se baseia no Google. Os gráficos são nítidos e as respostas rápidas q.b., ainda que pareça haver demasiados sub, sub, submenus, numa infinitude de opções — talvez fosse de rever a arrumação das várias funcionalidades, tornando a experiência mais fácil.Para os passageiros, o EX30 Cross Country também oferece uma experiência positiva, com os lugares traseiros a facilmente receberem dois adultos de elevada estatura, até pelo facto de o tejadilho ser panorâmico — detalhes que tornam o ambiente ainda mais desafogado — e por os bancos poderem ser ajustados longitudinalmente. A mala, com 318 litros de capacidade, não é uma referência, mas o seu desenho ajuda a arrumar decentemente a bagagem. Há ainda uma espécie de compartimento inferior, ideal para arrumar os cabos.VeredictoA Volvo foi capaz de pegar num produto que já era bom, o EX30, e torná-lo melhor, com esta variante mais atrevida e segura em territórios onde neva muito ou onde o gelo na estrada é comum. Por isso, para Portugal, a não ser que os planos incluam incursões todo-o-terreno, talvez o EX30, que é proposto desde 39.800 euros, seja o suficiente (a variante de autonomia esticada apresenta-se a partir 43.244 euros). O Cross Country custa desde 56.528 euros, o mesmo que o EX30 AWD Performance, topo de gama, também com dois motores.










