Mudança no INEM: ministra espera contar com Sérgio Janeiro noutras funções na Saúde
A ministra da Saúde, Ana Paula Martins, confirmou nesta manhã de sexta-feira a saída de Sérgio Janeiro do cargo de presidente do INEM, garantindo que o militar não sai em conflito com o Ministério da Saúde e que espera contar com ele no futuro.Numa visita ao Hospital de Magalhães Lemos, no Porto, Ana Paula Martins foi questionada sobre se Sérgio Janeiro sai por algum problema com a tutela. “Não sai com qualquer problema com o Ministério, pelo contrário, esperamos poder continuar a contar com Sérgio Janeiro para outros projectos na Saúde”, afirmou, agradecendo o trabalho do militar à frente do instituto.Sérgio Janeiro foi nomeado em regime de substituição por 60 dias em Julho de 2024, sucedendo a Luís Meira que deixou a presidência do INEM em ruptura com a tutela por causa do dossiê dos helicópteros de emergência médica. O tenente-coronel médico está no cargo desde então, tendo passado pelas duas greves que criaram graves constrangimentos no INEM, e foi um dos três finalistas do concurso aberto pela Comissão de Selecção e Recrutamento para a Administração Pública (CReSAP), a par de Nélson Pereira, médico do Hospital de São João, no Porto e Luís Cabral, antigo secretário regional de Saúde dos Açores (2012 a 2016). Tal como já foi noticiado, a escolha da ministra recaiu sobre Luís Cabral.Esta sexta-feira, Ana Paula Martins não quis explicar porque não manteve Sérgio Janeiro, alegando apenas que “foi escolhida outra pessoa”, mas sem confirmar o nome de Luís Cabral. Recorde-se que, no Verão do ano passado, depois da demissão de Luís Meira, o Ministério da Saúde chegou a anunciar o médico Vítor Almeida para a presidência do INEM, mas este recusou o convite pouco depois por entender não estarem reunidas as condições necessárias para exercer o cargo.
Ao que o PÚBLICO apurou, Sérgio Janeiro vai tirar férias, o que terá precipitado a reunião de quinta-feira à noite com a ministra da Saúde. A nomeação de Luís Cabral poderá ocorrer no Conselho Ministros da próxima semana, mas a data para entrar em funções ainda não é conhecida. Até lá a vogal, Alexandra Ferreira, mantém-se em funções, mas não assumirá a presidência de forma interina como o PÚBLICO inicialmente avançou.A escolha de Luís Cabral já está a gerar contestação. O Sindicato dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar (STEPH) pediu ao primeiro-ministro para reavaliar a nomeação, alegando que a escolha do médico que actualmente lidera o sistema de emergência médica dos Açores “suscita muitas e legítimas preocupações” aos profissionais do sector.Em declarações à RTP, Rui Lázaro, presidente do STEPH, disse estar preocupado com a mudança porque o modelo de emergência pré-hospitalar defendido por Luís Cabral é contrário ao que tem sido seguido e acordado com a tutela.Considerando que Sérgio Janeiro tinha condições para continuar, Rui Lázaro prometeu contestação a Luís Cabral se o caminho que adoptar para o INEM, como suspeita, seja diferente do que está a ser seguido e deixe de servir bem os portugueses.Também Vítor Almeida, médico da ULS de Viseu Dão Lafões, que em Julho de 2024 recusou o convite da ministra, reagiu de forma negativa à saída de Sérgio Janeiro.”Vejo isto com maus olhos”, afirmou, realçando que Sérgio Janeiro “conseguiu pacificar o instituto, dar estabilidade à casa”. O médico considerou ser “extremamente preocupante para os portugueses” que no mandato da ministra Ana Paula Martins tenha havido quatro mudanças no INEM, referindo-se a saída de Luís Meira, à sua nomeação que não se concretizou, à entrada de Sérgio Janeiro e, dentro em breve, de Luís Cabral.Vítor Almeida lembrou que o INEM vai ter uma nova lei orgânica e desafiou o Governo a pôr o documento em discussão pública antes de ser aprovado. Sobre a escolha de Luís Cabral, manifestou preocupação por o serviço de emergência médica que lidera nos Açores “não ter médicos no pré-hospitalar”. “Isto é grave, estou muito preocupado”, referiu Vítor Almeida.










