CIÊNCIA

Sam the Kid conta a história de "Beats Vol. 1". A Palestina e o Ocidente segundo Omar El Akkad

A televisão estava sempre ligada. E Samuel Mira foi gravando — telenovelas, séries didácticas com locução portuguesa, filmes pornográficos… E havia os CD da irmã, com “muito fado, Dulce Pontes, etc.”. E Samuel Mira foi recortando amostras, samples daquela música que tinha disponível em casa, o seu arquivo finito, mas tão cheio de possibilidades. Depois, passou todo esse universo privado por um instrumento que ainda hoje é a sua companheira inseparável, uma MPC, máquina que permite importar registos sonoros, editá-los e trabalhá-los.Samuel Mira é Sam the Kid e dessas sessões caseiras resultou Beats Vol. 1 – Amor, disco de 2002 que se tornou um clássico da música portuguesa (foi álbum do ano do então Y). Um disco instrumental com um requinte e uma força narrativa como o hip-hop português não conhecera até então. Contava, na sua tapeçaria de samples, a história de amor dos pais de Samuel.Beats Vol. 1 – Amor sobe ao palco pela primeira vez. Sam the Kid, os seus Orelha Negra e orquestra no Centro Cultural de Belém, em Lisboa (dias 31 e 1 de Novembro), e na Casa da Música, no Porto (25 de Novembro). A expectativa é tanta que todas as datas esgotaram rapidamente.Vinte e três anos depois, muito mudou na vida de Sam the Kid, que se afirmou como nome maior do hip-hop nacional — talvez o maior. “Eu continuo a criar no meu quarto de sempre, na casa onde vivo com a minha mãe”, diz ele na entrevista que publicamos esta sexta-feira no Ípsilon. Uma conversa em que aproveita para anunciar que o tão aguardado Beats Vol. 2 está para breve. Será uma história de amor, não a dos pais de Samuel, mas a história de amor entre Samuel e o rap. “Dar este concerto é também relembrar às pessoas que gostam muito deste trabalho que merecem ouvir o segundo [volume de Beats].”Um Dia, sempre Teremos Sido Todos contra isto, de Omar El Akkad, é um acerto de contas com o que o escritor e jornalista egípcio-canadiano diz ser a hipocrisia do Ocidente perante Gaza. Partindo da Palestina, Omar El Akkad, que vive nos EUA, lança uma poderosa crítica ao jornalismo, ao capitalismo e ao colonialismo. Na conversa com Mariana Duarte, fala também de como os Estados Unidos já não são “uma sociedade”, mas antes “um conjunto de facções ligadas por um monte de auto-estradas. E isso é assustador”.Mily Possoz fez muito mais do que o icónico Livro da Segunda Classe. Mais de 200 obras de desenho, gravura, ilustração e pintura distribuídas por três espaços (de Sintra, Lisboa e Cascais) reflectem a vida e a obra desta artista modernista e livre.Depois de Veneza, a retrospectiva dedicada a Maria Helena Vieira da Silva chega ao Museu Guggenheim em Bilbau. Cerca de 70 obras mostram um caminho que desde cedo procurou a abstracção. Até Fevereiro, a não perder.Também neste Ípsilon:— Livros: as mulheres da Ilíada e da Odisseia em dois livros de Emily Hauser; Dei-te Olhos e Viste as Trevas, de Irene Solà.— Filmes: Springsteen – Deliver Me From Nowhere, O Fim, Prestes a Explodir, One to One – John & Yoko, Os Novos Vizinhos e Um Ladrão no Telhado.—Música: novos discos de Rafael Toral, Tame Impala, Luta Livre e Cristina Branco;— Exposição: Coisas Vivas (e o desletramento pela pedra), de Rosângela Rennó, na galeria Cristina Guerra, Lisboa.Boas leituras!Os textos desta newsletter sem os respectivos links ainda só estão disponíveis na edição impressa.Cinecartaz: tudo sobre cinema; Leituras: o nosso site de livros

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