CIÊNCIA

Morreu Laborinho Lúcio, antigo ministro da Justiça

Morreu na madrugada desta quinta-feira Álvaro Laborinho Lúcio, antigo ministro da Justiça, aos 83 anos. O presidente da Câmara Municipal da Nazaré, Manuel Sequeira, confirmou a notícia da morte à agência Lusa. Numa nota de pesar, o município destaca o facto de ter continuado com uma “forte ligação à sua terra natal”.Além de ter sido ministro da Justiça em 1990, durante o Governo de Cavaco Silva, Álvaro Laborinho Lúcio foi ainda procurador e inspector do Ministério Público, Procurador-Geral Adjunto, director da Escola de Polícia Judiciária e do Centro de Estudos Judiciários e juiz conselheiro jubilado do Supremo Tribunal de Justiça.Desempenhou ainda o cargo de Ministro da República para os Açores, em 2003, durante a presidência de Jorge Sampaio.Natural da Nazaré, nasceu a 1 de Dezembro de 1941 e tinha no teatro uma das principais paixões. Actor amador, foi um dos fundadores do Grupo de Teatro do município.Laborinho Lúcio foi o sócio número um da Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV). Aliás, fez parte de várias associações ligadas aos direitos da criança, presidindo a Assembleia-Geral da Associação Portuguesa para o Direito dos Menores e da Família sendo também membro do conselho geral da Fundação do Gil.Licenciado em Direito pela Universidade de Coimbra, foi professor de Direito Penal na Universidade Autónoma de Lisboa e membro do conselho geral da Universidade do Minho.O então presidente Jorge Sampaio condecorou-o, em 2005, com a Grã-Cruz da Ordem Militar de Nosso Senhor Jesus Cristo.Pai de dois filhos, deixa também obra bibliográfica, entre romance e livros sobre justiça. Sobre justiça, a sua obra Sobre a aplicação do direito (1985), O sistema judiciário em Portugal: uma perspectiva da mudança (1986), Do fundamento e da dispensa da colação (1999), Palácio da Justiça (2007) e O julgamento: uma narrativa crítica da justiça (2012). Direitos humanos e cidadania (2002), Educação arte e cidadania (2008), Portugal e as suas gentes: crise e futuro (2017), bem como A justiça e os justos: conversas com Maria José Braga (1999) e Levante-se o véu! (2011) são outras das obras.Laborinho Lúcio escreveu também ficção, O chamador, O homem que escrevia azulejos: romance ou As sombras de uma azinheira e fez também uma incursão pela fotografia com O mar da Nazaré: álbum fotográfico (2002), em parceria com Ana David e António Nabais. No livro A Vida na Selva, Laborinho Lúcio compila textos que fazem “o primeiro resumo de uma vida com a literatura – e o testemunho de um homem comprometido com as suas paixões e o diálogo com os outros”, como descreve a editora.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Botão Voltar ao Topo

Para continuar no site, por favor, desative o Adblock.

Por favor, considere apoiar o nosso site desligando o seu ad blocker.