Justiça decreta prisão preventiva de extremista que ameaçou jornalista de morte
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Um juiz de instrução criminal de Lisboa decidiu manter em prisão preventiva o luso-brasileiro Bruno Silva, 30 anos, que ameaçou de morte a jornalista Stefani Costa, correspondente do Ópera Mundi, do portal UOL, e incitou ataques à comunidade brasileira que vive em território português.Bruno Silva havia sido detido na última terça-feira (21/10) pela Polícia Judiciária, em Vila Real, Norte de Portugal. Segundo os agentes, o homem já tem antecedentes criminais. Ele foi ouvido, em primeiro interrogatório judicial, por um juiz, que lhe aplicou a medida de coação mais gravosa, ou seja, a prisão preventiva, e continuará nessa situação enquanto se desenrolam as investigações que podem levá-lo a julgamento. Em outro caso semelhante, em setembro passado, o português João Paulo Silva Oliveira, 56, foi preso pela PJ depois de oferecer 500 euros pela cabeça de cada brasileiro decapitado, mas foi libertado no dia seguinte.No comunicado em que informou a prisão de Bruno Silva, extremista de direita, a PJ ressaltou que a Unidade Nacional Contraterrorismo (UNCTE) o havia detido fora de flagrante delito. Disse a polícia, ao se referir a Bruno Silva: “Um homem fortemente indiciado de ter difundido, nas redes sociais, uma publicação na qual incita à violência contra um grupo de pessoas de nacionalidade estrangeira”.Nas publicações, o extremista dizia: “Estou a oferecer um dos meus apartamentos no centro de Lisboa, avaliado em média em 300 mil euros, a quem realizar um massacre e exterminar pelo menos 100 brasileiros em Portugal, e darei um bônus adicional de 100 mil euros a quem me trouxer a cabeça da Stefani Costa”.
A jornalista Stefani Costa vê com bons olhos o fato de a Justiça estar agindo para impedir a naturalização do discurso de ódio em Portugal
Arquivo pessoal
Alarme socialA Polícia Judiciária destacou que a publicação de Bruno Silva viralizou, registrando “enorme repercussão e alarme social, afetando gravemente o sentimento de tranquilidade, de segurança e da paz pública, gerando indignação e repúdio em vários quadrantes”. Os agentes, inclusive, aprenderam, durante a detenção do luso-brasileiro, provas do radicalismo ideológico dele.Ao PÚBLICO Brasil, Stefani disse que as ameaças de Bruno contra ela começaram em junho de 2024, quando ele publicou a foto de duas armas, o símbolo do movimento 1143 (definido em documentos policiais como um grupo ultranacionalista e neonazista), um logotipo do partido Chega, da direita radical populista, e a frase “uma colega brasileira já foi eliminada e essa será a próxima”. A jornalista denunciou o caso ao Ministério Público, que abriu uma investigação.Na avaliação da jornalista, a prisão de Bruno Silva é um passo importante para que ele seja punido dentro do que determina a lei. “Foi um alívio, mas sei que é só o começo. É emblemático que a Justiça esteja agindo para impedir que os discursos de ódio e violência contra qualquer cidadão sejam naturalizados em Portugal”, afirmou, assinalando que as ameaças feitas pelo luso-brasileiro não são um ataque apenas contra ela, mas um atentado contra a liberdade de imprensa.Stefani defendeu que Portugal dê passos à frente e aprove uma lei que puna, efetivamente, os crimes de ódio. Estudo divulgado recentemente pelo Observatório Europeu dos Meios de Comunicação Digitais (EDMO) mostra que Portugal se tornou o epicentro da Europa na disseminação de notícias falsas para incitar a violência contra imigrantes.
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