CIÊNCIA

Márcia é de Porto Santo e ganhou a bolsa da Gap Year. Vai viajar pelo Sudeste Asiático

Márcia Pimenta começou a pintar aos seis anos. Aos dez fez a sua primeira exposição e aos catorze escolheu artes visuais. Com 17 anos convenceu-se que não iria ser artista. Mas com 26 anos o bichinho da pintura continuava a chamá-la. Queriam que fosse para a faculdade de arquitectura, mas Márcia optou por um curso de cinema, em Lisboa. Teria ficado por lá depois de se licenciar, mas a pandemia obrigou-a a voltar ao Porto Santo, de onde é.A paixão por viajar acompanha-a desde que se lembra. “Quando era pequenina e me perguntavam o que queria ser eu dizia que não me importava desde que tivesse dinheiro para viajar”, conta a jovem entre risos. Aos 18 anos teve a oportunidade de fazer um inter-rail com a Discover EU, e agora surgiu “outra oportunidade”.João Amorim é o patrocinador da Bolsa Nacional da Associação Gap Year Portugal, que deu a Márcia 5000 para viver um ano “diferente”. Em Abril deste ano, o viajante, conhecido por Follow The Sun nas redes sociais, foi ao Porto Santo. “Vi um vídeo que ele fez cá na ilha, que viralizou, e foi quando descobri esta iniciativa.” Um gap year pareceu a Márcia a forma ideal de conjugar a paixão por viagens com a arte. “Quero aproveitar este ano de pausa para regressar a esse lado mais criativo, que já está parado há alguns anos”, confessa.

Márcia Pimenta não nega a ligação que tem à ilha. “Agora sinto que me sufoca, mas é aqui que eu quero voltar, que eu quero criar a minha família, criar raízes.” José Saramago escreveu que é preciso “sair da ilha para ver a ilha”, e Márcia tomou como sua esta frase, diz, no vídeo de apresentação do projecto.O nome do projecto é o reflexo da ligação de Márcia ao Porto Santo. “Acolalem” é um regionalismo, “uma palavra inventada no Porto Santo”, que “significa acolá, mas um bocadinho mais longe, um bocadinho mais além”. A ideia é que este ano sabático a ajude “a ligar o mundo à ilha”.Em Janeiro, no dia 14, arranca para a Índia. Depois seguem-se a Tailândia, Laos, Vietname e Camboja. A escolha da Índia é uma tentativa de sentir um choque, já que “a ilha é muito calminha”. A esperança é que este primeiro destino a deixe “mais alerta e atenta aos pormenores” para o resto da viagem.


No fundo, espera, vai ser um ano a “testar a vida de sonho” e descobrir se é esse o seu caminho.

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