Benfica joga contra o Newcastle na Champions e precisa de pontos
Foi numa noite de Liga dos Campeões que tudo mudou para o Benfica em 2025-26. Num jogo tido como de “três pontos garantidos”, frente ao Qarabag, a equipa “encarnada” ficou com zero e tudo se desenvolveu a partir daí. Nessa mesma noite, Bruno Lage foi despedido. Dois dias depois, chegou José Mourinho. Pode dizer-se que o “Special One” devolveu alguma credibilidade aos “encarnados” nos momentos que se previam mais difíceis (derrota mínima com o Chelsea, empate com o FC Porto), mas este Benfica ainda não levantou voo.Nesta terça-feira, terá uma oportunidade de o fazer, ao defrontar o Newcastle (20h, SPTV5) no St. James Park, jogo a contar para a terceira jornada da fase Liga da Champions. Mais do que oportunidade, o Benfica tem urgência em mostrar crescimento com Mourinho, porque a margem de manobra vai sendo cada vez menor – os “encarnados” são uma de quatro equipas com zero pontos em duas jornadas, a par de Athletic Bilbau, Ajax e Kairat. Pontos precisam-se, sem dúvida, e, depois da derrota com o seu “ex” Chelsea, Mourinho também terá o desejo de mostrar em Inglaterra que não perdeu o toque.Jogo decisivo? “Não é decisivo, mas vamos jogar a pensar que sim”, comentou o técnico do Benfica sobre a importância deste confronto com o actual 13.º classificado da Premier League inglesa. “Os menos profissionais olham para a classificação da Premier e ficam enganados relativamente ao potencial da equipa. Equipa organizada, com jogadores escolhidos a dedo pelo Eddie [Howe], muito organizada, física, bons jogadores nas alas”, alertou.Mais do que um adversárioMourinho está mais do que habituado a jogar no St. James Park. Enquanto treinador de Chelsea, Manchester United e Tottenham, o sadino foi 12 vezes ao norte de Inglaterra defrontar os “magpies”, saindo de lá com três vitórias, quatro empates e cinco derrotas. Mas este regresso de “Mou” a St. James Park também terá, tal como em Stamford Bridge, uma componente emocional. E a sua relação com o Newcastle podia ter sido bem diferente, ser um “homem da casa” em vez de ser adversário. Se tivesse dito “sim” ao convite de Bobby Robson no início de carreira, de certeza que tudo teria sido diferente.Para explicar melhor esta história, é preciso recuar mais de 30 anos, até 1992, ano em que Mourinho foi indicado por Manuel Fernandes para fazer parte da equipa técnica de Bobby Robson no Sporting. O grande técnico inglês gostou tanto de trabalhar com Mourinho (e vice-versa) que ambos ficaram juntos durante seis épocas – uma época e meia em Alvalade, mais três e meia no FC Porto e duas no Barcelona. Quando Robson deixou o banco dos “culé” e passou a “manager”, Mourinho ficou na equipa técnica do senhor que se seguiu, Louis van Gaal.
Robson e Mourinho nos tempos do Barcelona
GUSTAU NACARINO/Reuters
Mourinho manteve-se em Camp Nou a aprender com o “mestre-escola” neerlandês quando Robson decidiu voltar ao activo, primeiro como treinador do PSV Eindhoven, depois como técnico do Newcastle. E, quando português deixou a Catalunha em 2000, pronto para assumir uma equipa a solo, recebeu um telefonema de Robson a perguntar-lhe se não queria ser outra vez seu adjunto, desta vez nos “magpies”. Essa reunião nunca aconteceu – Mourinho iria ter a sua primeira aventura a solo (de curta duração) no Benfica, seguindo depois para uma carreira ímpar, com muitos anos na Premier League. Quando Mourinho chegou ao Chelsea em 2004, Bobby Robson estava a cumprir os últimos dias como treinador do Newcastle – não chegaram a defrontar-se.Por causa de Robson e pelo que ele sentia pelo Newcastle, Mourinho nunca foi a St. James Park, que tem uma estátua de Robson nas imediações, puramente como adversário: “Eu sentia sempre qualquer coisa especial mesmo antes do mister Robson partir [morreu em 2009]. Depois disso senti a proximidade, que mesmo com as pessoas que amamos, o dia-a-dia leva-nos a passar ao lado da saudade. Há locais que nos fazem abrir a porta para que essas pessoas entrem no nosso pensamento. Trabalhei com o mister Robson seis anos e não passava um dia que ele não mostrasse a paixão por Newcastle, cidade e clube, o orgulho com que falava… Nunca escondi que o Newcastle foi sempre um clube querido.”










