Museu do Louvre encerrado após roubo de jóias de Napoleão
O roubo de “jóias de valor inestimável” do Louvre, em Paris, o museu mais visitado do mundo, durou menos de dez minutos. Os três ou quatro criminosos encapuzados terão entrado no museu através de um edifício adjacente que estava em obras, na rua François Mitterrand, nas margens do rio Sena.Aproveitaram um elevador de carga que já estava no local para aceder directamente à sala que tinham como alvo, a Galeria Apollo, e, depois de quebrarem a janela e as vitrinas, roubaram várias peças da colecção de jóias de Napoleão e da Imperatriz Joséphine, numa cena à la Arsène Lupin.O Louvre abriu pelas 9h e a hora do assalto terá ocorrido entre as 9h30 e as 9h40 (hora local, menos uma hora em Portugal Continental) deste domingo, 19 de Outubro, quando os trabalhadores do museu e os seguranças estavam concentrados em deixar entrar a multidão de visitantes que já fazia fila na entrada.A ministra da Cultura francesa, Rachida Dati, foi a primeira a confirmar o assalto ao museu parisiense minutos depois da sua abertura neste domingo, e a afirmar que se deslocou ao local pouco depois. “Não há feridos a reportar. Estou no local com as equipas do museu e a polícia. As investigações estão em andamento”, escreveu Dati no X.Segundo o Le Parisien, os assaltantes concentraram-se em “duas vitrinas” e roubaram várias peças da colecção de jóias de Napoleão e da Imperatriz Joséphine: um colar, um broche, uma tiara e outras peças. Estavam equipados com pequenas motosserras e foi encontrada uma scooter após a fuga. O jornal também avança que o Diamante Regente, o maior diamante da colecção, pesando mais de 140 quilates, não está entre as peças roubadas.À rádio France Inter, o Ministro do Interior, Laurent Nuñez, confirmou que “indivíduos entraram pelo lado de fora do museu através de uma plataforma elevatória” e roubaram “jóias de valor inestimável” sem, no entanto, revelar quais. No total, o incidente “durou sete minutos” e foi realizado por uma “equipa que estava a fazer reconhecimento”. As janelas foram abertas “com uma disquete”, explicou Nuñez, que chefiou a polícia de Paris antes de ser ministro.O museu foi evacuado pouco depois de dado o alerta. “Foi necessário retirar as pessoas, principalmente para preservar vestígios e pistas, para que os investigadores pudessem trabalhar com tranquilidade”, disse.Rachida Dati confirmou, entretanto, à TF1 que uma jóia foi “recuperada” do lado de fora do museu, aparentemente deixada cair enquanto os criminosos iniciavam a fuga. A ministra afirmou que o roubo foi realizado “sem violência” em cerca de “quatro minutos” e por “profissionais”. “Vimos as imagens de vigilância: não atacam pessoas, entram calmamente em quatro minutos, quebram vitrinas, pegam nos bens e vão embora. Sem violência, com muito profissionalismo”, disse ela à TF1. Não fica claro se já existiam visitantes no local quando os ladrões entraram na Galeria Apollo.O Museu do Louvre ainda não confirmou oficialmente o assalto, afirmando apenas que estava encerrado por “motivos excepcionais” até segunda-feira. O quarteirão do museu foi, entretanto, encerrado ao trânsito.O Ministério Público de Paris já anunciou a abertura de uma investigação de “furto organizado e conspiração criminosa para cometer um crime”, que ficará a cargo da Brigada de Repressão ao Banditismo da Polícia Judiciária (BRB), com o apoio do Escritório Central de Combate ao Tráfico de Bens Culturais (OCBC). “Os danos estão a ser avaliados e as investigações estão em andamento”, acrescentou o Ministério Público.
Visitantes a deixar o Louvre
Gonzalo Fuentes
O roubo que deu fama a Mona LisaVários museus franceses foram alvos de roubos e furtos nos últimos tempos, o que expôs possíveis falhas nos sistemas de segurança e vigilância. Em meados de Setembro, objectos de ouro nativo foram roubados durante um arrombamento no Museu Nacional de História Natural de Paris, causando uma “perda inestimável” para a investigação e o património.O roubo envolveu vários objectos de ouro nativo, na sua forma natural, explicou o museu, avaliando os prejuízos em perto de 600 mil euros. Também em Setembro passado, um importante museu de porcelana em Limoges, no centro da França, foi assaltado, tendo os danos sido estimados em 6,5 milhões de euros.Tal como aconteceu este domingo, também em Novembro de 2024 quatro homens munidos de armas de fogo escolheram o momento em que o museu estava aberto e com visitantes para assaltar o Hiéron, em Paray-le-Monial, no departamento francês de Saône-et-Loire, na Borgonha. Saquearam a principal peça exposta, classificada como tesouro nacional: Via Vitae, de 1904, uma monumental criação do ourives Joseph Chaumet com quase três metros de altura e três toneladas de peso.Na véspera desse assalto, também o museu Cognacq-Jay, em Paris, tenha sido assaltado por um bando de quatro homens, armados de tacos de baseball e machados, que levaram diamantes e várias peças expostas, no valor de cerca de um milhão de euros.E é impossível falar de roubos de arte sem mencionar o desaparecimento do quadro de Mona Lisa do próprio Louvre. A pintura, da autoria de Leonardo Da Vinci, um dos grandes mestres do Renascimento, foi roubada durante uma manhã de Agosto de 1911, sem ninguém dar por isso. No ano em que se deu o desaparecimento do quadro de Mona Lisa, a segurança do museu não era das mais eficazes, tendo apenas 150 guardas que protegiam um quarto dos milhões de objectos expostos. Antes do furto do quadro de Mona Lisa, já tinham sido muitas as obras que tinham desaparecido do museu francês.Na noite em que o roubo aconteceu, Vicenzo Perugia, funcionário do museu, escondera-se num armário da sala onde estavam expostas as obras da era do Renascimento, incluindo o quadro de Mona Lisa. O ladrão passou toda a noite dentro do armário. Na manhã seguinte, depois de as empregadas da limpeza terem saído, Perugia tirou o quadro da parede sem ninguém se aperceber. O planeamento do roubo demorou três meses.O ladrão escondeu a obra durante dois anos no seu apartamento em Paris e depois viajou até Itália com o quadro. Ninguém o descobriu até que ele próprio decidiu tentar vender a obra de arte a Alfredo Geri, que se negou a comprá-la e o denunciou às autoridades francesas. O ex-funcionário do Museu Louvre, que alegou que roubara o quadro com o propósito patriótico de devolver a obra de Leonardo a Florença, foi então detido e condenado pelo furto.O Louvre é o museu mais visitado do mundo, tendo ultrapassado em 2018 os dez milhões de visitantes por ano, um número histórico e os nove milhões de visitantes em 2024, 80% dos quais cidadãos estrangeiros.










