Príncipe André abdica dos títulos reais
O príncipe André, irmão do rei britânico Carlos III e desde há muito suspeito de envolvimento em casos de pedofilia, decidiu abdicar dos seus títulos reais, incluindo o mais importante, o de duque de Iorque. O anúncio foi feito pelo próprio, em comunicado tornado público pelo Palácio de Buckingham, um dia depois de terem sido divulgados excertos do livro de memórias de uma alegada vítima dos crimes sexuais de André.“Em conversa com o rei e com a minha família mais próxima e alargada, concluímos que as acusações contínuas contra mim desviam as atenções do trabalho de sua majestade e da família real”, diz o comunicado. “Com o acordo de sua majestade, sentimos que agora devo dar mais um passo em frente. Portanto, doravante não utilizarei mais o meu título ou as honrarias que me foram concedidas”, anuncia o príncipe.André diz que toma esta decisão porque coloca “os [seus] deveres para com a família e o país em primeiro lugar” e volta a “negar vigorosamente” as acusações de que é alvo.Na quarta-feira, o jornal The Guardian pré-publicou excertos de um livro de Virginia Giuffre, a mulher que denunciou o empresário Jeffrey Epstein e que acusou André de a ter abusado sexualmente por três vezes quando tinha 17 anos, em conluio com Epstein e com a namorada deste, Ghislaine Maxwell. A obra detalha como Giuffre conheceu aquele trio e foi levada a ter relações sexuais com o príncipe, em Londres e nas Ilhas Virgens Britânicas.Virginia Giuffre suicidou-se a 25 de Abril e deixou escrito este livro, Nobody’s Girl, que será lançado no Reino Unido na próxima semana. Depois de ela ter apresentado uma queixa formal contra o príncipe num tribunal nova-iorquino, ambos chegaram a um acordo extrajudicial.Depois de Epstein se ter suicidado na prisão, em 2019, quando aguardava julgamento por suspeitas de tráfico e exploração sexual de menores, André decidiu dar uma entrevista à BBC em que admitiu ser amigo do empresário norte-americano, mas negando o seu envolvimento em crimes sexuais. A entrevista revelou-se desastrosa aos olhos da opinião pública britânica e o príncipe foi afastado dos seus deveres reais.Mais tarde, em 2022, por decisão da rainha Isabel II, sua mãe, André perdeu os seus títulos militares e o direito a ser tratado como “sua alteza real”.De acordo com a imprensa britânica, a ex-mulher de André, Sarah Ferguson, também deixará de usar o título de duquesa de Iorque, enquanto as filhas de ambos, as princesas Beatriz e Eugénia, manterão as suas honras nobiliárquicas.As ligações a Jeffrey Epstein não são a única faceta da vida do príncipe a prejudicar-lhe a reputação. Uma biografia lançada há dois meses descreve André como um viciado em sexo, que terá perdido a virgindade aos 11 anos e que, numa visita à Tailândia, terá estado com mais de 40 mulheres, além de ter um longo historial de assédio e conversas inapropriadas com mulheres.The Rise and Fall of the House of York, do historiador Andrew Lownie, refere-se a André como “um idiota útil” facilmente manipulável, alguém com uma conta bancária recheada sem que conheça totalmente a origem do dinheiro e que, além de tudo o resto, mantém amizades duvidosas, como Tarek Kaituni, um homem condenado por contrabando de armas na Líbia.










