TECNOLOGIA

Depois de queda em 2020, portugueses voltaram a comer o dobro do recomendado

Sem surpresas e à semelhança do acontece há já vários anos, os portugueses continuam a comer demasiado. A Balança Alimentar Portuguesa (BAP) 2020-2024, publicada nesta quinta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), precisa que ingerimos, em média, diariamente, 4079 quilocalorias por habitante. Este número – que, de resto, está em linha com o que já se verificava no quinquénio anterior – é o dobro do recomendado para um adulto com um peso médio saudável (2000 quilocalorias). Isto acontece depois de em 2020 (o primeiro ano da pandemia de covid-19) se ter atingido o resultado mais baixo dos dez anos anteriores, com 3894 quilocalorias registadas.De acordo com a publicação, além de comermos demasiado, comemos de forma desequilibrada: em 2024, os grupos alimentares com desvios maiores face ao consumo recomendado pela Roda dos Alimentos foram, por excesso, “carne, pescado e ovos” (12,4 pontos percentuais acima do valor indicado). Por outro lado, conclui-se que ingerimos “hortícolas” a menos (8,1 pontos percentuais abaixo do que é aconselhado), assim como “frutos” (menos 3,7 pontos percentuais).No que respeita à carne, o consumo aumentou 2,9% nos cinco anos em análise, o que significa que cada português come 85,5 quilos deste produto, por ano. A carne de animais de capoeira continuou a representar a maior fatia das disponibilidades, correspondendo a 39,9% do total. Seguiu-se a carne de suíno, com 27,4%, registando uma diminuição média de 2,5 pontos percentuais face aos cinco anos anteriores. A carne de bovino ocupou a terceira posição (23,7%), tendo aumentado 1,5 pontos percentuais.O INE estabelece o cálculo das disponibilidades alimentares de cada um dos grupos de produtos alimentares e bebidas com base em equilíbrios entre recursos e empregos a nível tão desagregado quanto possível.Já no que respeita ao consumo de peixe, verificou-se uma diminuição na oferta de 2,1%, “não tendo ultrapassado 60,4” gramas por habitante/dia. “O consumo aparente de crustáceos e moluscos cresceu 20,6%, mantendo-se como o segundo produto deste grupo (28,6% do total), a seguir ao peixe fresco, refrigerado, congelado ou em conserva (55,1%), e relegando para a terceira posição o bacalhau e outros peixes salgados secos (16,3%)”, indica ainda o INE.Quanto aos ovos, verificou-se um aumento de 11,9%: em média, cada residente teve disponível para consumo, no período em análise, cerca de meio ovo por dia e por pessoa (183 ovos/ano), considerando um ovo médio com casca.Face a recomendações internacionais, a BAP revela que, em 2024, a contribuição energética média de gorduras foi de 36,0%, acima do limite máximo recomendado para o consumo (30%). Já a contribuição dos hidratos de carbono foi de 49,8%, inferior ao intervalo recomendado (55-75%), e a das proteínas de 13,7%, dentro do intervalo recomendado (10-15%). Importa, apesar disso, notar que estas estimativas foram efectuadas para um aporte calórico médio de 4167 quilocalorias por dia, quando as recomendações são para uma média diária de 2000.O consumo de bebidas alcoólicas, que já no quinquénio anterior tinha subido, fixou-se em 332,2 mililitros por dia. Por outras palavras, cada português bebe, em média, uma cerveja de 33 centilitros por dia, um valor que, ao fim de um ano, reflecte 121 litros de bebidas alcoólicas por ano. É um aumento de 10% face aos valores verificados em 2015-2019. O INE refere ainda que cada residente em território nacional teve disponível para consumo 52,1 litros de vinho e 60,6 litros de cerveja, por ano.Também nesta quinta-feira foram publicadas as conclusões do Inquérito sobre as Práticas Alimentares em Portugal 2024, realizado pelo Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, que dão já um vislumbre das mudanças alimentares dos portugueses face ao aumento do custo de vida, nomeadamente da alimentação, com os mais pobres a serem, sem surpresa, quem mais mudou os seus hábitos. Consomem-se mais produtos de marca branca e olha-se mais para promoções; cozinham-se porções mais pequenas e pratos mais simples, com menos ingredientes; vamos comer fora menos vezes, e isso inclui visitar amigos para uma refeição ou convidá-los para nossa casa para o mesmo fim.

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