Novo sistema de entrada no aeroporto de Lisboa provoca caos: filas de mais de quatro horas
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A entrada em vigor do novo sistema de controle de entradas e saídas em aeroportos de Portugal, que interliga todos os países do Espaço Schengen, tem provocado o caos no terminal de Lisboa. Nesta segunda-feira (13/10), segundo dia de funcionamento do EES (iniciais de Entry Exit System), filas de mais de quatro horas deixaram os passageiros desesperados.Com o novo sistema, deixam de ser usados carimbos nos passaportes. Com os dados biométricos — fotografia e impressões digitais —, ficam registrados eletronicamente a data, a hora e o posto de fronteira em que o cidadão entrou e saiu do país. Segundo as autoridades, com as novas regras, será mais fácil controlar o tempo de permanência de estrangeiros dentro do Espaço Schengen. Os viajantes não podem permanecer em território europeu por mais do que 90 dias a cada seis meses.O EES é comum a todos os 29 países europeus que fazem parte do Espaço Schengen — 25 da União Europeia, mais Islândia, Liechtenstein, Noruega e Suíça. Quando foi anunciado, o sistema prometia aumento da rapidez nos controles de imigração, especialmente em aeroportos e portos, e a maior precisão na gestão dos fluxos de pessoas.PrejuízosPara os passageiros que entram no Espaço Schengen por Lisboa antes de embarcar para outros destinos europeus, a demora na imigração pode levar à perda de conexões. E as empresas aéreas não devolvem o dinheiro nem arcam com alimentação e hotéis, porque não podem ser responsabilizadas pela ineficiência do Estado português. Por isso, é importante se programar bem para as viagens, já levando em conta o risco de se enfrentar longas filas.Segundo as companhias aéreas, a se persistir essa situação, poderá perdas financeiras para Portugal. Isso porque cria-se uma má imagem do país logo na chegada, impactando o fluxo de turistas. Somente nos primeiros seis meses deste ano, mais de 9,5 milhões de pessoas passaram pelas áreas de imigração dos aeroportos portugueses, de acordo com a Polícia de Segurança Pública (PSP).Longa esperaPara o estudante universitário brasileiro Marcos Correia, 19 anos, foram quatro horas e meia de fila. “Cheguei de Londres às 12h40 desta segunda-feira e só passei no controle de passaportes às 17h10. A fila estava saindo pelas portas, era difícil entender onde começava”, contou.Correia relatou que faltou informação aos passageiros. “Ninguém falou nada. A única ajuda que teve foi para algumas das pessoas que tinham voos de conexão, que passavam na frente da fila”, observou.Ele disse que era difícil até beber água. “Tinha um bebedouro, mas fora da fila. Não dava para deixar a mala e sair para beber”, revela. Correia não viu ninguém sendo atendido por médicos ou enfermeiros. “Teve uma mulher que saiu da fila e vomitou no lixo. Havia muita gente sentada no chão”, ressaltou.ConstrangimentosO Sistema de Segurança Interna (SIS) enviou uma informação à imprensa afirmando que o início da operação do novo sistema foi um êxito. O título do comunicado era “Portugal assegura com sucesso o arranque do Entry/Exit System”.Na informação, foram divulgados os dados relativos ao domingo, 12 de outubro: 10.774 entradas, das quais 25 marítimas e o restante, aéreas. Lisboa foi o aeroporto com maior número de chegadas, 5751, seguida de Faro, 3065, Porto, 1441, e Madeira, com 238.Questionada sobre as filas e até quando devem ocorrer, a PSP — que gere as entradas no aeroporto de Lisboa — não deu resposta. A empresa que opera o terminal de Lisboa, a ANA, afirmou que a responsabilidade pelo novo sistema é das autoridades do país, que não poderia “deixar em um segundo plano a necessidade de garantir aos passageiros um tempo máximo de espera nas fronteiras”.A empresa relatou o que faz nessa situação. “A ANA tem colaborado com as autoridades e apoiado os passageiros, para mitigar os constrangimentos, dentro do que está ao seu alcance, através de suas equipes de apoio, distribuição de água e comida, na expectativa de que o reforço dos recursos por parte das entidades responsáveis permita a implementação de um compromisso de tempo de espera máximo nas fronteiras do país”, frisa.
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