Há três luso-israelitas entre os reféns libertados em Gaza, outros três entre os mortos
Três dos 20 reféns israelitas libertados esta segunda-feira pelo Hamas em Gaza têm também cidadania portuguesa. São Segev Kalfon, David Cunio e Ariel Cunio. A informação é indicada pela Comunidade Judaica do Porto e pela embaixada de Israel em Lisboa.Entre as vítimas mortais cujos corpos deverão ser entregues nos próximos dias estão outros três cidadãos portugueses: Yossi Sharabi, Ran Gvili e Dror Or Ermoza.Todos os luso-israelitas têm ascendência sefardita. Os irmãos Cunio – Ariel, de 28 anos, e David, de 35 – são membros de uma família sefardita de origem turca. Kalfon, de 27, tem raízes marroquinas e tunisinas. Os três foram libertados esta segunda-feira, ao fim de mais de dois anos de cativeiro em Gaza, ao abrigo do acordo de paz entre Israel e o Hamas mediado pelos Estados Unidos.Sharabi, de 53 anos, oriundo de uma família sefardita marroquina, terá sido morto pelo Hamas durante o cativeiro, e é uma das vítimas cujos restos mortais se aguardam nos próximos dias em Israel. O movimento armado palestiniano avisa, contudo, que vários corpos poderão não ser recuperados devido a dois anos de bombardeamentos israelitas e à morte dos operacionais que os guardavam, pelo que a sua localização poderá não ser conhecida.Gvili, de 26 anos, foi morto durante os ataques de 7 de Outubro e o seu corpo foi levado para Gaza. É membro de uma família sefardita de origem egípcia. Dror or Ermoza, de 48 anos, também foi morto durante a ofensiva de 2023, juntamente com a sua mulher, e os seus corpos levados para Gaza. Duas filhas suas, também feitas reféns, foram libertadas durante outro cessar-fogo.Segundo dados do Instituto dos Registos e Notariado divulgados em Julho e citados pela Lusa, um terço dos mais de meio milhão de processos de nacionalidade pendentes são relativos a descendentes de judeus sefarditas portugueses, uma proporção semelhante à registada em anos anteriores. A comunidade representa cerca de metade dos pedidos de nacionalidade feitos por indivíduos a residir no estrangeiro.A chamada lei dos sefarditas, de 2015, permite a concessão de nacionalidade portuguesa, por naturalização, a título de reparação histórica, a descendentes de membros desta comunidade alvo de expulsão de Portugal a partir do século XV. Muitos destes judeus portugueses, e os seus descendentes, radicaram-se em vastas áreas do Norte de África, do Médio Oriente, bem como em vários países europeus e das Américas.O actual Governo de Luís Montenegro propôs a extinção deste regime à luz da revisão da Lei da Nacionalidade, que regressará em breve à discussão na Assembleia da República.










