O traumático estudo psicológico de Stanford transformado em reality show na Netflix

Prisioneiros no reality ‘O Novo Experimento de Aprisionamento de Stanford’, da Netflix (Netflix/Reprodução)

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Um dos episódios mais controversos da psicologia, o experimento de aprisionamento de Stanford chocou o mundo ao colocar estudantes universitários em situações degradantes durante uma simulação de prisão. Ocorrido em 1971, o teste fez com que as diretrizes para estudos psicológicos fossem modificadas devido a preocupações com os possíveis traumas em humanos. Mais de 50 anos depois, o teste voltou a ser feito, mas, dessa vez, como um reality show da Netflix.
Denominado O Novo Experimento de Aprisionamento de Stanford, a produção reúne 30 pessoas em uma unidade prisional real da Geórgia, nos Estados Unidos. Os participantes foram divididos em dois grupos: oito guardas e 22 prisioneiros, em uma tentativa esquisita e de mau gosto de emular o experimento original, dividida em seis episódios.

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O estudo de 71, desenvolvido por Philip Zimbardo, foi estarrecedor ao demonstrar uma escalada no comportamento dos guardas em relação aos prisioneiros. Embora todos fossem estudantes universitários, aqueles que passaram a ocupar posições de poder rapidamente adotaram comportamentos cruéis, submetendo os presos a abusos como privação de sono, provocações constantes e até mesmo forçando-os a usar baldes plásticos como banheiros.

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Dessa vez, os envolvidos têm uma palavra de “segurança”: caso digam “abacaxi”, podem deixar a produção a qualquer momento. Além disso, passam por avaliações psicológicas e são acompanhados por profissionais durante o processo. Há também a presença de equipamentos de gravação e intervenções destinadas a provocar reações nos detentos, o que ameniza a intensidade da imersão e lembra os participantes de que é um reality show.
Essa não é a primeira vez que uma produção televisiva tenta reeditar o que aconteceu em Stanford. A BBC lançou um documentário sobre o tema em 2002. Mas ambas as produções são espúrias por uma razão simples: todos os participantes sabem que serão vistos por outras pessoas em um ambiente de entretenimento, o que faz com que a qualidade científica da coisa se perca, e o que resta é só um programa de entretenimento que se vende como científico.

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