Vem vindo o verão: os problemas por trás dos bares com lotação máxima no Rio


O sucesso dos bares cariocas tem provocado um sentimento curioso entre os frequentadores mais antigos: ciúme. Antes acostumados a chegar sem aviso, escolher uma mesa e encontrar os amigos, muitos agora precisam enfrentar filas para conseguir entrar em seus endereços favoritos. É o caso do Bar do Omar (@bardoomar), no Morro do Pinto, na região central do Rio de Janeiro, e do Baródromo (@barodromo), no Maracanã, que passaram a atrair multidões. Se a popularidade é motivo de comemoração para os proprietários, parte da antiga clientela sente falta dos tempos em que não era preciso disputar espaço.

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No Bar do Omar, conhecido pelas rodas de samba, pela vista para a Zona Portuária e pela decoração marcada por referências políticas, a insatisfação ganhou as redes sociais e provocou até um bate-boca com o proprietário. “Estive no Bar do Omar ontem e não pretendo voltar enquanto não tiver controle de entrada na porta. Insuportável de cheio e cerveja quente!”, reclamou uma cliente no X. A resposta do dono, no entanto, colocou ainda mais lenha na fogueira. “Mentira que o bar de esquerda mais famoso do Rio de Janeiro estava muito cheio e desconfortável no final de semana pós-vitória do Lula”, ironizou. “Pode deixar que na próxima vez vamos impedir que as pessoas entrem e comemorem juntas para que você se sinta mais confortável. Faça-me o favor, né, amiga.” Diante da repercussão, o proprietário apagou o comentário e fechou seu perfil na plataforma, mas as críticas e discussões continuaram.

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No Baródromo, a situação não é muito diferente. Com fantasias, alegorias e referências às escolas de samba espalhadas pelo ambiente, a casa atrai um público interessado em viver o carnaval durante o ano inteiro. O sucesso, porém, também veio acompanhado de reclamações sobre a superlotação, as filas nos banheiros e a demora no atendimento. “Além do calor absurdo, o bar não tem espaço. Tanto que eles fecham a rua toda com grades e você só pode ficar se estiver consumindo algo do bar”, criticou um usuário do X.

Para Felipe Trotta, proprietário do Baródromo, o movimento é resultado de uma proposta que vai além da temporada de desfiles. “Acho que não existe receita certa para ter o Baródromo sempre cheio, mas temos um diferencial, que é oferecer para os amantes de carnaval uma programação musical e visual que dialoga com as escolas de samba durante o período em que não temos eventos na Sapucaí”, afirma, em conversa com a coluna GENTE.

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A popularidade também exigiu adaptações. Segundo Trotta, a equipe precisou ser reforçada nos dias de eventos para acompanhar a demanda. “A gente sabe que, quando uma casa atinge um nível de atender tantas pessoas, uma hora ou outra pode acontecer falha, mas, quando acontece, a gente fica atento para corrigir”, explica. Apesar do movimento crescente, ele descarta transformar o negócio em uma rede. “A essência continua aqui no Maracanã.”

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