O novo check-up para investigar o diabetes e salvar a tempo seus olhos, coração e rins

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Novembro Azul destaca a urgência do diabetes, uma doença em crescimento no Brasil com 16,6 milhões de adultos afetados, sendo 32% sem diagnóstico. O diabetes tipo 2, muitas vezes silencioso, pode levar a graves complicações. A detecção precoce é vital. Entenda quem deve fazer exames e os valores essenciais para o diagnóstico.

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Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.

Novembro é azul, a cor que muita gente associa à saúde do homem. Mas é também a do círculo que simboliza a luta contra o diabetes no mundo inteiro — e o dia 14, Dia Mundial do Diabetes, existe justamente para lembrar que essa é uma das doenças crônicas que mais crescem no planeta. No Brasil, o recado tem urgência redobrada.
Segundo a 11ª edição do Atlas do Diabetes da Federação Internacional de Diabetes, publicada em 2025, o Brasil tem 16,6 milhões de adultos entre 20 e 79 anos vivendo com a doença — o sexto maior contingente do mundo. Em 2000, eram 3,3 milhões. E o dado mais inquietante não é o tamanho do número, mas o que ele esconde: cerca de 32% dessas pessoas, algo como 5,3 milhões de brasileiros, não sabem que têm diabetes.

São pessoas que trabalham, dirigem, cuidam dos filhos e se sentem bem. O diabetes tipo 2, responsável pela imensa maioria dos casos, costuma ficar em silêncio durante anos. Quando os sintomas clássicos aparecem — sede excessiva, muita urina, cansaço, perda de peso sem explicação —, a glicose muitas vezes já está alta há bastante tempo.

O preço do silêncio
O açúcar elevado no sangue agride os vasos, pequenos e grandes, de forma lenta e cumulativa. Nos olhos, pode levar à cegueira. Nos nervos e na circulação das pernas, abre caminho para feridas que não cicatrizam e para amputações. Nos rins, é uma das principais causas de doença renal crônica que termina em diálise. Nos homens, é causa frequente de disfunção erétil — que pode ser, inclusive, o primeiro sinal de que algo vai mal nos vasos.
No coração e no cérebro, o impacto é ainda mais dramático. Quem tem diabetes corre risco bem maior de infarto, acidente vascular cerebral (o popular derrame), insuficiência cardíaca e arritmias. E há um capítulo que só recentemente ganhou o devido destaque: grandes estudos populacionais associam o diabetes a uma probabilidade maior de desenvolver Alzheimer e outras demências.

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Nenhuma dessas complicações é inevitável. Hoje existem tratamentos capazes de proteger coração, rins e vasos — mas eles só funcionam para quem sabe que precisa deles. Sem diagnóstico, não há tratamento. E sem tratamento, não há prevenção de complicações.
Quem deve fazer os exames
A Associação Americana de Diabetes publicou em 2026 seus padrões de cuidado para 2026. A regra é simples: todo adulto a partir dos 35 anos deve investigar o diabetes, mesmo sem sintomas ou fatores de risco. Com resultados normais, a checagem se repete pelo menos a cada três anos.
Antes dos 35, os exames são indicados para quem tem sobrepeso ou obesidade — índice de massa corporal a partir de 25, ou 23 em pessoas de ascendência asiática — e pelo menos mais um fator de risco, como:

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• pai, mãe ou irmão com diabetes;
• pressão alta ou doença cardiovascular;
• colesterol HDL baixo ou triglicerídeos altos;

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• sedentarismo;
• síndrome dos ovários policísticos;
• acantose nigricans, manchas escuras e aveludadas no pescoço e nas axilas;

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• esteatose, a gordura no fígado.
Algumas situações pedem vigilância ainda mais de perto: mulheres que tiveram diabetes na gestação, quem já recebeu o diagnóstico de pré-diabetes, quem usa corticoides por longos períodos ou outros remédios que elevam a glicose, pessoas que vivem com HIV e quem já teve pancreatite.
Ter um parente próximo com diabetes também merece atenção especial: a genética pesa muito no tipo 2, e as famílias compartilham hábitos à mesa e no sofá. Em crianças e adolescentes com excesso de peso e fatores de risco, a investigação começa aos 10 anos ou no início da puberdade.

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Os números que você precisa conhecer
O diagnóstico é barato, rápido e disponível no SUS. Vale guardar os valores:
• Glicose de jejum: normal abaixo de 100 mg/dL; pré-diabetes de 100 a 125; diabetes a partir de 126.
• Hemoglobina glicada, que retrata a média da glicose dos últimos três meses: normal abaixo de 5,7%; pré-diabetes de 5,7% a 6,4%; diabetes a partir de 6,5%.
• Teste oral de tolerância à glicose, duas horas após beber 75 gramas de glicose: normal abaixo de 140 mg/dL; pré-diabetes de 140 a 199; diabetes a partir de 200.
• Glicose a qualquer hora do dia: 200 mg/dL ou mais, com sede e urina em excesso, já indica diabetes.
Fora dessa última situação, o diagnóstico precisa ser confirmado por um segundo resultado alterado. Quem tem pré-diabetes deve refazer os exames todo ano.
Em relação ao teste oral de tolerância à glicose, há um debate em curso. Em 2024, a Federação Internacional de Diabetes passou a defender a medida feita uma hora após a ingestão do açúcar: a partir de 155 mg/dL, pré-diabetes; a partir de 209, diabetes. O exame fica mais curto e flagra mais cedo quem está a caminho da doença. A associação americana, porém, ainda não incorporou o critério e mantém a medida de duas horas como padrão. O importante é fazer o exame — e entender com o médico qual versão está sendo usada.
Detectar o diabetes cedo também muda o jogo — quanto antes o controle começa, menor o estrago acumulado. Neste novembro azul, fica o convite: se você tem 35 anos ou mais, ou tem diabetes na família, procure seu médico e peça os exames. Leva poucos minutos e pode poupar décadas de complicações.

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