Há quem pense que o BTS, banda sul-coreana, é voltada para adolescentes. A julgar pelo público que compareceu aos shows de São Paulo nos dias 28, 30 e 31, foi impressionante a quantidade de mulheres acima dos 60 anos prestigiando os integrantes.
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A maioria se apaixonou pelos integrantes através dos k-dramas, novelas produzidas na Coréia do Sul. Algumas escutaram músicas por acaso ou viram participações dos integrantes e foram atrás para conhecer um pouco mais. Esse é o caso da professora Angela Zanon, 60 anos, que viajou do Espírito Santo a São Paulo para assistir ao show. “Como o pessoal costuma falar de brincadeira, é quase uma seita. Começa com as novelas, vai para o BTS e quando vê já está imerecido na cultura. Os meus alunos e filha já tinham comentado sobre eles, mas depois da Copa me chamou muito atenção. Agora estou embarcada nessa aventura”, diz.
Quem também confirma que a cultura coreana do k-pop se tornou parte da sua vida é acriadora de conteúdo Suzy Omma, 63. Fã há mais de 10 anos do BTS, já foi a shows em 2017 e 2019, além de ser apaixonada por outros grupos de K-Pop. “Eu me identifiquei muito com o gênero. Gosto de tatuagem, cabelo colorido e percebi que o nicho me permitia usar tudo isso ao meu favor. A partir do momento que passei a frequentar os eventos, fui me sentindo à vontade”, conta.
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Etarismo na música
Apesar de ser um espaço aberto para pessoas mais velhas, o etarismo existe. Angela recebeu olhares e julgamentos ao expor o interesse pelo grupo. “Quando contei que ia ao show, uma colega olhou com cara de nojo e falou: ‘Você gosta daquilo?’. Logo respondi que sim, e muito. Defendo todos eles. Quando levam hate, respondo comentários e denuncio a conta. Não aceito preconceito. Por que eu não posso gostar?”, contesta.
Por outro lado, Suzana Rodrigues, 64 anos, prefere ficar mais afastada das intrigas. É fã, e foi ao show acompanhada da filha, Giovanna, mas gosta de apenas seguir os integrantes nas redes sociais, sem muito alarde. “Não gosto de fã-clubes. Tem muita opinião diferente, gosto de ter a minha”. Assim como boa parte dos fãs, fez um esforço danado para conseguir ingressos. “Foi ela (filha) que conseguiu. Fez uma força-tarefa de não sei quantas pessoas para comprar”. Deu certo.
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Angela também recebeu a ajuda da filha. Quando recebeu a confirmação, se emocionou. “Não acreditei quando ela contou. Ela brincou: ‘adivinha quem vai no show do BTS?’. Olhei com cara de tristeza, achei que era só ela, mas quando falou ‘nós duas’, meu coração explodiu”, relembra. A fã escolheu o show para comemorar o aniversário de 60 anos e até levou um cartaz para os integrantes. “As meninas mais novas me deixaram ficar na frente, colocaram luzes, tudo para o drone filmar e eles verem. Me emocionei, chorei muito. Eu e minha filha ficamos emocionadas de viver esse momento juntas”, diz, com os olhos marejados.
Síndrome do pânico e superação
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Suzy, fã desde 2016, não conseguiu comparecer ao show por questões financeiras. Mas já viveu momentos únicos com o grupo. Em 2022, através de um sorteio, ganhou uma viagem para a Coréia do Sul. “Foi tudo pago. Tive várias cerejinhas ao longo das dias. Um dia fomos na Hybe, empresa que gerencia a banda, foi um sonho. Dentro da programação, assistimos à gravação de um programa de Natal, vi mais de dez grupos que eu amava”, recorda, empolgada, tal como fazem os jovens da geração Z. A dona da conta Canal da Omma publicou um vídeo vestida de Jimin, integrante do BTS, e conseguiu o prêmio.
A viagem não foi só um momento especial por conhecer a Coréia do Sul, mas também uma vitória para Suzy, que tem síndrome do pânico e precisa de apoio para sair de casa. “Ir até lá, sozinha, foi a maior loucura de amor por eles. Jamais achei que poderia fazer isso”. Angela, que tem baixa audição, conta que as músicas a ajudam de diversas maneiras. “Jimin é meu favorito, a voz dele me passa tranquilidade. Quando estou com dor, me acalma”.
As três têm produtos dos integrantes – desde blusas a pôsteres e photocards (imagens em um papel metalizado, comum entre grupos de K-pop). Suzy tinha o quarto cheio de fotos dos integrantes, tal como uma adolescente – além de roupas que ganha por conta da produção de conteúdo. Já Angela ama ter as fotos em um álbum e acaba distribuindo parte delas aos seus alunos sem condição financeira. “Tiro se tiver colado de cadernos e agendas, não sei nem quantos produtos tenho”, brinca.
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