Antonio Tabet contou que participou dos bastidores da campanha de Lula (PT), ajudando a escrever respostas utilizadas pelo presidente nos debates contra Flávio Bolsonaro. Em um longo desabafo publicado no X nesta terça-feira, 27, o humorista contou que chegou a ser aconselhado a não se envolver nas eleições por receio de prejudicar a carreira. A decisão de participar, no entanto, foi motivada principalmente pelo filho, Pedro, que faz parte da comunidade LGBTQIAPN+.
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“Quem é pai ou mãe de uma criança LGBTQIAPN+ sabe como é o medo de ter sua cria agredida na rua só por ela ser quem ela é. Esse medo se transforma em indignação. Que vira revolta. Que vira gana. E foi assim: mordi a faca com avidez e fiz o que achava que podia fazer: expressei-me”, escreveu.
Tabet também relembrou o processo movido por Flávio no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), após uma publicação em que criticava uma suposta “família miliciana” em meio à polêmica envolvendo Nossa Senhora Aparecida. O humorista teve a postagem retirada do ar por determinação do ministro André Mendonça, mas a publicação acabou liberada após uma reavaliação do caso.
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“Quando soube que ele tinha me processado no TSE por causa do famigerado tweet criticando a ‘família miliciana’, acreditei ser uma pegadinha. Como poderia um senador, postulante à presidência da república, assessorado pelos ‘gênios’ da influência, vestir uma carapuça daquelas? Pois vestiu. Aí, quando me dei conta, fui tragado para uma batalha solitária que não esperava travar. Fui assediado judicialmente, acusado por jornalistas que confiava de ter feito algo que não fiz, agredido, ofendido, ameaçado e o mais grave: censurado. Dá desgosto, insegurança, receio, dá pânico. Mas dá raiva também”, disse.
Após o episódio, Tabet intensificou sua participação na campanha de Lula e passou a colaborar diretamente com o deputado federal André Janones. Segundo o humorista, o envolvimento foi tão grande que chegou a cancelar compromissos profissionais para ajudar na preparação dos debates.
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“Fiquei tão inquieto que cancelei peça, adiei trabalhos e passei a última semana falando mais com o André Janones que com meus filhos. Acordei o publicitário adormecido aqui para virar marketeiro voluntário. E ainda levo jeito. Achei a Mariana para perguntarmos quem ela era (‘Quem é Mariana?’) e me vi varando a noite escrevendo respostas para que fossem usadas no debate sobre aposentadoria, escala 6 por 1 e até nove dedos (aquela). Quando Lula falou, eu e meu filho — que sabia de tudo — comemoramos como um gol”, contou.
O humorista ainda deixou aberta a possibilidade de ingressar oficialmente na política. “Hoje, sinto alívio, alegria e sentimento de justiça. No Brasil, isso é luxo. Mas confesso: quero enfrentar inimigos melhores em 2030. Não só mais qualificados. Menos escroques e escrotos mesmo. Quem sabe não me filio a algum partido para a próxima? De repente, com gente que gosto ao lado”, concluiu.
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