Spray nasal com psicodélico derivado de sapo do deserto é bem-sucedido contra a depressão

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Um novo tratamento para depressão resistente, a mebufotenina, substância extraída de um sapo, mostrou-se promissora em testes. Administrada via spray nasal, a pesquisa indica controle rápido e duradouro dos sintomas, oferecendo esperança a pacientes que não respondem a terapias convencionais.

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Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.

Estima-se que até 30% das pessoas com diagnóstico de depressão não conseguem melhorar com os medicamentos e abordagens tradicionais. É um quadro chamado pelos psiquiatras de depressão resistente e associado a menor qualidade e expectativa de vida – inclusive pelo maior risco de suicídio.
Nos últimos anos, pesquisadores têm buscado alternativas terapêuticas para esses pacientes descobertos. E os psicodélicos – um grupo heterogêneo de moléculas que alteram o estado mental – abriram uma interessante avenida pelo seu potencial de interferir de uma maneira diferente nos circuitos cerebrais.

Agora, pode-se dizer que uma dessas substâncias passou por uma importante prova de conceito. A mebufotenina, identificada originalmente na secreção de um sapo do deserto de Sonora, que se estende entre o México e o sul dos Estados Unidos, foi testada e bem-sucedida na forma de um spray nasal.

Candidato à medicação
O resgate dos psicodélicos pela neurociência moderna busca, entre outras coisas, novos caminhos para controlar transtornos psiquiátricos como ansiedade e depressão. Daí estudos recentes e crescentes com princípios ativos como psilocibina (dos “cogumelos mágicos) e dietilamida do ácido lisérgico (LSD).
É nessa conjuntura que uma substância química originária do sapo Incilius alvarius despertou interesse dos pesquisadores.

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Pesquisas anteriores vinham demonstrando que a 5-metoxi-N,N-dimetiltriptamina – ou mebufotenina – seria capaz de interferir na liberação de neurotransmissores envolvidos em quadros depressivos e na plasticidade cerebral, tendo tanto efeitos de curto como longo prazo diante da doença mental. 
Mas faltava um ensaio clínico controlado, com pacientes de verdade, para validar as hipóteses surgidas em laboratório. Foi o que mobilizou um time de cientistas americanos, australianos e europeus a avaliar um spray nasal de dose única com benzoato de mebufotenina em indivíduos com depressão resistente.

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O estudo de fase 2, realizado entre 2023 e 2025 e publicado no periódico JAMA, acompanhou ao longo de oito semanas 193 participantes com idades entre 18 e 75 anos de 38 centros médicos na Austrália, Europa e Estados Unidos. Todos eles tinham diagnóstico de depressão moderada ou grave e não respondiam a antidepressivos convencionais. 
Depois de suspenderem o uso dessas medicações para não interferir nos resultados, os pacientes foram divididos em três grupos com doses diferentes da substância testada (uma delas uma dosagem mínima). Todos receberam atendimento psicológico.

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Eles passaram por avaliações médicas, com o preenchimento de questionários validados, e depois os estudiosos examinaram as diferenças entre quem tomou a dose de 12 mg, a de 8 mg e a dose mínima para controle de 0,3 mg.
No comparativo, as taxas de resposta no 29º dia foram de 35%, 34% e 12%, e as taxas de remissão foram de 26%, 18% e 8% nos grupos que receberam as doses de 8 mg, 12 mg e 0,3 mg, respectivamente, indicando uma redução significativa do problema nas dosagens superiores. Os efeitos colaterais foram considerados de leves a moderados e transitórios.

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O estudo concluiu, assim, que doses únicas de um spray nasal de benzoato de mebufotenina foram bem toleradas e promoveram controle rápido, robusto e duradouro dos sintomas da depressão. Se validada por novos estudos clínicos, a medicação pode “melhorar o acesso e a conveniência do tratamento, exigindo um período de monitoramento mais curto em comparação com a psilocibina e a escetamina”.
Em editorial da revista da Associação Médica Americana, onde foi publicada a pesquisa, o tratamento foi saudado como uma possível “mudança de paradigma” no manejo da depressão. Agora é aguardar a fase 3 de estudos para comprovar a eficácia da intervenção em maior escala – bem como definir dosagens e o meio mais adequado de administrar a terapia.

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