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Um estudo inédito revela que um ano adicional de escolaridade pode reduzir o risco de demência, incluindo Alzheimer, por até 50 anos. A pesquisa analisou os impactos de uma reforma educacional no Reino Unido em 1972, mostrando uma redução de 0,88% na incidência, mesmo em pessoas com alto risco genético.
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Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.
A escolaridade é considerada um fator protetor quando se fala em demências, como a doença de Alzheimer, condição que afeta 57 milhões de pessoas no mundo, mas capturar uma relação de causa e efeito era um desafio para os pesquisadores. Um estudo das universidades de Wisconsin–Madison e do Sul da Califórnia, nos Estados Unidos, contornou essa dificuldade e mostrou que, em uma população que teve um ano escolar adicional, o risco de aparecimento de condições que afetam a cognição pode ser reduzido por até 50 anos na ordem de 0,88%.
Financiado pelos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos (NIH, na sigla em inglês), o estudo chegou a evidências robustas sobre o impacto da escolaridade para mitigar a demência ao encontrar uma situação que finalmente permitiria verificar os impactos de uma intervenção educacional em uma população por um longo período, considerando que não seria fácil estabelecer um grupo de controle para este objetivo.
O ponto de partida foi um evento fez toda a diferença para o levantamento. Em 1972, foi promulgada uma lei na Inglaterra, no País de Gales e na Escócia que promovia uma reforma no ensino obrigatório, elevando a idade mínima para encerrar a escola de 15 para 16 anos, impactando alunos nascidos depois de 1º de setembro de 1957.
Com a mudança, houve um aumento de 14% no número de estudantes que continuaram na escola até chegar aos 16 anos.
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“Sabemos há muito tempo que pessoas com maior escolaridade têm menor probabilidade de desenvolver demência, mas era difícil determinar se a própria educação era responsável por esse efeito”, disse, em comunicado, Silvia Barcellos , economista da saúde afiliada ao Centro de Pesquisa Econômica e Social do Instituto Schaeffer da USC e à Universidade de Wisconsin-Madison.
Com essas informações em mãos, os pesquisadores avaliaram dados médicos de mais de 100 mil participantes do UK Biobank, um banco de dados genéticos e de saúde do Reino Unido, até o momento em que os participantes mais velhos completaram 65 anos, em dezembro de 2022, para a verificação de diagnósticos.
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Na comparação com pessoas que não foram submetidas à reforma educacional, foi encontrado o índice de redução de 0,88% na incidência de demência ao longo das cinco décadas seguintes.
“Essas descobertas reforçam o entendimento de que o risco de demência é determinado por fatores que vão além da constituição genética de um indivíduo, e que mudanças como um período maior de escolaridade podem compensar uma vulnerabilidade herdada”, afirmou Richard Hodes, médico e diretor do Instituto Nacional sobre o Envelhecimento (NIA), vinculado aos NIH.
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A reforma educacional observada também favoreceu fatores socioeconômicos, como melhores oportunidades de trabalho, e aspectos relacionados à saúde, caso da redução de eventos cardiovasculares, de modo que os pesquisadores encontraram indícios de que mais mecanismos protetores estão relacionados à escolaridade.
População de alto risco
A redução de 0,88% no risco de demências pode parecer pequena, mas os estudiosos ponderam que o índice se expressou em um grupo com taxa geral de demência baixa e trouxe um achado importante: os efeitos foram constatados mesmo entre pessoas com variantes genéticas específicas que aumentam a incidência de doença de Alzheimer e demências relacionadas, ou seja, os pacientes de alto risco.
“Para pessoas que sabem que têm um risco genético maior de demência, esta é uma descoberta promissora”, disse também em comunicado, Leandro Carvalho , professor associado de economia da USC. “Os genes ajudam a moldar o risco de doenças, mas não determinam necessariamente o resultado. Nossos resultados sugerem que experiências e circunstâncias que podem ser alteradas ao longo da vida podem influenciar se a suscetibilidade hereditária se traduzirá em doença.”