‘Um avanço histórico’: vacina personalizada reduz recorrência de câncer de pele agressivo em 42%

MADRI* – Uma terapia personalizada contra o câncer de pele acaba de alcançar um resultado que a oncologista Georgina Long classificou como um “avanço histórico”. Combinada à imunoterapia, ela reduziu em 42% o risco de recorrência ou morte em pacientes com melanoma, o tipo mais agressivo de câncer de pele.
“É um passo gigantesco na oncologia e na imunologia do câncer”, afirmou a pesquisadora neste sábado, 24, durante coletiva de imprensa do congresso da Sociedade Europeia de Oncologia Médica (ESMO), em Madri, na Espanha, acompanhada por VEJA.

Long é diretora médica do Instituto Melanoma da Austrália e professora da Universidade de Sydney, onde lidera pesquisas sobre imunoterapia e outros tratamentos contra o câncer.
Em 2024, foi eleita “Australiana do Ano” ao lado do patologista Richard Scolyer, em reconhecimento ao trabalho da dupla na pesquisa sobre melanoma.

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O estudo apresentado na ESMO 2026 é de fase 3. Chamado INTerpath-001, avaliou 1.137 pacientes com melanoma cutâneo ressecado nos estágios IIB, IIC, III ou IV.
Eles foram distribuídos aleatoriamente em dois grupos: um recebeu a terapia experimental, chamada intismeran autogene, associada ao pembrolizumabe; o outro recebeu pembrolizumabe e placebo.

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O medicamento de imunoterapia bloqueia a proteína PD-1, que funciona como um freio da atividade das células de defesa, permitindo que elas ataquem o tumor com mais eficiência.
Já a vacina funciona de outro jeito. Os pesquisadores analisam uma amostra do tumor de cada paciente e identificam os chamados neoantígenos, características resultantes de alterações nas células cancerosas que podem ser reconhecidas pelo sistema imunológico.

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A partir dessas informações, produzem um RNA mensageiro (mRNA) individualizado. É essa estrutura que orienta as células do organismo a apresentar os alvos às defesas do corpo.
Long comparou o processo à criação de um cartaz de procurado. “Analisamos uma amostra do tumor de cada paciente para identificar sua impressão digital única de neoantígenos e, então, criamos um ‘cartaz’ do câncer”, explicou.

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“Ele é fornecido na forma de mRNA, para que as próprias células do corpo apresentem esse cartaz ao sistema imunológico, mostrando exatamente o que procurar e atacar”, acrescentou. 
Segundo os dados apresentados pela pesquisadora, após o acompanhamento mediano de 26 meses, o grupo que recebeu a combinação apresentou redução de 42% no risco de recorrência ou morte em comparação com aquele tratado apenas com pembrolizumabe.

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O benefício foi observado na chamada sobrevida livre de recorrência, indicador que mede por quanto tempo os pacientes permanecem vivos sem que o câncer volte.
Aos dois anos, 82,2% dos pacientes que receberam a terapia personalizada estavam vivos e sem recorrência. Já no grupo de controle essa taxa foi de 70%.
A diferença se tornou mais expressiva depois dos primeiros seis meses de tratamento, quando a redução do risco de recorrência ou morte chegou a 58%.
Segundo Long, esse intervalo era esperado porque o tratamento precisa ser produzido individualmente e leva tempo para desencadear uma resposta imunológica.
O estudo também apontou uma redução de 38% no risco de metástase à distância (em outras partes do corpo) ou morte. “É extraordinário”, disse ela ao comentar os resultados.
Aos dois anos, 88,5% dos pacientes tratados com a combinação estavam vivos e sem disseminação do melanoma para outras partes do corpo, contra 80,2% daqueles que receberam apenas pembrolizumabe.
A combinação teve perfil de segurança considerado consistente com a experiência anterior com os tratamentos, mas será necessário acompanhar os pacientes por mais tempo para avaliar a duração do benefício e eventuais efeitos sobre a sobrevida global.
O estudo INTerpath-001 está sendo desenvolvido em parceria por duas farmacêuticas, a Moderna e a Merck, conhecida como MSD no Brasil. 
O intismeran também está em investigação em outros estudos para variados tipos de câncer, incluindo tumores de bexiga, pulmão e rim.
*A repórter viajou a convite da GSK.

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