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O lendário navegador Amyr Klink, que atravessou o Atlântico Sul a remo, ganha as telas com o filme “100 Dias”. A produção, que recria sua jornada épica com desafios técnicos intensos, explora a mente enigmática de Klink. O sucesso de sua filha Tamara Klink impulsiona a relevância da família, enquanto o filme provoca reflexões sobre solidão e natureza.
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Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.
Quando chegou à costa da Bahia em setembro de 1984, 100 dias depois de partir da Namíbia, na África, Amyr Klink não queria saber de homenagens. Despistando os helicópteros que tentavam localizar seu barco de meros 5,4 metros de extensão no mar, atracou na pacata Praia da Espera e encontrou apenas um pescador que nada sabia do recorde: ele era o primeiro a atravessar o Atlântico Sul a remo. A quietude, no entanto, foi curta, e logo o marinheiro foi encontrado pela reportagem de VEJA. “Fizeram uma matéria que repercutiu muito, com uma capa linda de morrer”, relembra Klink em entrevista sobre o lançamento do filme 100 Dias (Brasil, 2026), que estreia na quinta-feira 29.
Adaptação do livro de memórias Cem Dias Entre Céu e Mar, o longa dirigido por Carlos Saldanha enfrentou, nos bastidores, sua própria onda de desafios. Orçado em 30 milhões de reais, o filme foi rodado principalmente em um enorme tanque de água de 400 metros quadrados, construído no interior de São Paulo. Máquinas de ondas e sistemas de alta pressão simulavam tempestades e a movimentação do oceano. Assim, as condições enfrentadas por Filipe Bragança, que interpreta Klink, eram tão adversas quanto as do mar aberto — ou piores. “Acho que é mais fácil atravessar o Atlântico do que ficar naquele tanque, filmando no frio e tomando jato d’água”, disse Klink. “Achei que o Filipe fosse morrer de hipotermia.”
CLÃ - A família do navegador: à dir., Tamara e Amyr (Marina Atallah/Instagram)
O lado técnico foi superado graças a uma parceria inédita entre profissionais do Brasil e da Finlândia, que completaram as lacunas visuais com efeitos computadorizados. O roteiro, contudo, não dá conta de explicar as motivações de Klink para além de uma intriga paterna. Segundo Bragança, a ideia era justamente manter esse mistério. “O filme não deixa claro por que Amyr fez isso. Ele é maluco? Ou precisava se provar para alguém? Existem motivos que só ele compreende”, pontua o ator. A impossibilidade de entender seu objeto de estudo não o impediu de se identificar com o feito. “Ele precisava passar por essa história, assim como eu atuo pela mesma razão. Percebo um valor imenso no que faço, mas não há uma utilidade material para a arte.”
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DESAFIOS – Saldanha (à esq.): barco e tanque de água construídos do zero (Adriano Vizoni/Pivô Audiovisual/.)
Todo esforço ainda precisa de bons ventos, e o timing do lançamento foi certeiro. Há 24 semanas, o livro Bom Dia, Inverno, sucesso colossal de Tamara Klink, filha de Amyr, ocupa a lista de Mais Vendidos de VEJA. A jovem de 29 anos narra como passou oito meses atracada a um fiorde na Groenlândia, assim como o pai passou sete meses preso no gelo da Antártica em 1989. Seguindo o caminho do patriarca, ela também fez o trajeto entre a África e o Brasil, mas a bordo de um veleiro. Tamara atraiu a atenção de toda uma nova geração para a família Klink — o que deve ajudar na bilheteria do filme.
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HISTÓRICO – Klink em 1984: primeiro homem a atravessar o Atlântico Sul a remo (./Divulgação)
Se é difícil entender a mente dos que desafiam a lógica da autopreservação, o time espera que a produção ao menos traga boas reflexões sobre solidão, laços familiares e a importância de olhar ao redor em tempos de telas excessivas. “Não se deve desafiar o mar. O Amyr não vai contra a corrente, ele vive sua aventura dentro da lógica da natureza”, disse a atriz francesa Philippine Leroy-Beaulieu, que interpreta a mãe sueca do navegador. Klink rejeita a ideia de ser modelo, temeroso de que pessoas se atirem ao mar por sua culpa, mas Saldanha sintetiza a moral da história: “Pare. Ouça o silêncio. Aprecie o mundo ao redor”. Isso pode ser um divisor de águas.
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Publicado em VEJA de 23 de outubro de 2026, edição nº 3018