Na intrigante ficção de ideologias “Guerra Civil” (2024), do diretor Alex Garland, a parte americana da direita acaba se unindo aos radicais territórios esquerdistas dos Estados Unidos para derrotar um autoritário presidente na capital Washington, que tem seus interesses acima do cidadão. Na semana decisiva para o nosso país, que não é os Estados Unidos e precisa como nunca crescer, a crônica viajará nessa dicotomia.
Quando trazemos o tema para a medicina, já pararam para pensar que Deus, ou quem vocês julguem que nos criou, ao fazer o corpo humano, nos deixou com a opção de esquerda e direita, com um único objetivo? A preservação da espécie humana.
Diversos dos nossos órgãos, alguns vitais, estão em lados opostos, e a perda ou derrota de um obrigatoriamente fortalece o outro, para quenosso corpo — ou país — possa crescer e sobreviver.
Temos dois pulmões. Se perdermos um por infecção, trauma ou doenças diversas, teremos o do outro lado para nos manter respirando. Caso o mesmo aconteça com um dos rins, por um mecanismo natural o outro hipertrofia, ou seja, fica mais forte. E é justamente isso que preserva a nossa função renal.
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A derrota nas urnas do ovário ou testículo não fará com que não tenhamos eleitores ou filhos no futuro, porque o do lado dito oposto tem toda a capacidade de preservar a democracia — a procriação.
Da mesma forma acontece com nossos braços, mãos, pernas e pés. Temos o da direita e o da esquerda, assim como as orelhas: mesmo que uma se perca, teremos a outra para escutar. O mesmo eu diria dos olhos.
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Na verdade, a eliminação de um dos lados não é o previsto; só acontece na ditadura da minoria, pois o ideal é que haja uma convivência pacífica entre eles.
Já perceberam que é muito mais equilibrado termos a perna direita e esquerda, podermos escutar com os dois lados, enxergarmos para todas as direções ou eliminar nossas diferenças por dois rins? Da mesma forma, temos mais oxigênio para viver quando o pulmão direito convive harmonicamente com o esquerdo.
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Nosso corpo ou sociedade não foi feito para ter só um lado, mas precisa da convivência afinada entre eles, e esse é o ideal para um país crescerforte e equilibrado.
Quando temos só uma perna, orelha, olhos, pulmão, ovário ou testículo, corremos o risco de termos menos equilíbrio, ouvirmos só um lado, olharmos apenas para uma direção, nos acomodarmos por falta de oxigênio e arriscarmos o futuro do corpo — ou da nação.
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A agressividade de um lado ou órgão querendo o mal do outro nunca trará benefícios. É importante dizer que, no próximo domingo, quem irá decidir por tudo isso é um órgão único, de centro, mas o que nos faz a espécie mais inteligente do planeta: nosso cérebro.
Que saibamos fazer bom uso dele e que saiamos dessa eleição com todos os órgãos preservados, mantendo os de esquerda e os de direita convivendo com suas divergências, mas de forma respeitosa.