Ler Resumo
A nova Diretriz Brasileira de Cardiogeriatria revoluciona o tratamento cardíaco em idosos, focando na qualidade de vida e não apenas na idade. O documento, elaborado por mais de 50 especialistas, propõe uma abordagem personalizada, avaliando fragilidade, revisando medicamentos e promovendo a autonomia do paciente. Um guia essencial para um envelhecimento saudável do coração.
Este resumo foi útil?
👍👎
Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.
Imagine duas mulheres de 80 anos na mesma sala de espera do consultório, com o mesmo problema no coração. Durante décadas, a medicina tenderia a tratá-las da mesma forma. A nova Diretriz Brasileira de Cardiogeriatria, apresentada neste mês no Rio de Janeiro, durante o Congresso Mundial de Cardiologia, diz com todas as letras: não é assim que funciona.
Uma das pacientes caminha firme, cuida da casa e toma três remédios. A outra perdeu peso sem querer, anda devagar e engole dez comprimidos por dia. São pessoas diferentes e merecem cuidados diferentes.
O documento foi elaborado por mais de 50 especialistas. Ele troca a pergunta “quantos anos você tem?” por outra, muito mais reveladora: “como você está vivendo esses anos?”. Boa parte da resposta está nas mãos do próprio paciente e de sua família.
Força nas pernas é sinal vital
A diretriz recomenda que todo idoso a partir dos 70 anos com doença do coração seja avaliado para fragilidade. É aquele estado em que o corpo perde reserva e qualquer gripe, queda ou internação vira um terremoto. Os sinais de alerta são simples: andar cada vez mais devagar, não ter força nas mãos para abrir um pote, precisar de apoio para levantar da cadeira e emagrecer sem fazer dieta.
Perdeu peso sem explicação no último ano? Conte ao médico. E mexa-se. Atividade física regular protege o coração, preserva os músculos e a independência, e ainda melhora o humor. Caminhar e fazer exercícios de força orientados não são luxo de academia: são parte do tratamento. Antes de começar, combine com seu médico o que é seguro no seu caso.
Continua após a publicidade
A gaveta de remédios merece uma faxina
Estudos internacionais mostram que entre 40% e 60% das pessoas acima de 65 anos usam cinco ou mais medicamentos ao mesmo tempo. Parte deles é essencial.
Outra parte foi se acumulando: uma receita de um especialista, outra de outro, o remédio para dormir que ficou, o chá ou o suplemento indicado pela vizinha. Esse acúmulo aumenta o risco de quedas, confusão mental, internações e efeitos colaterais. A automedicação, inclusive com produtos naturais, entra nessa conta.
Continua após a publicidade
O que fazer: leve à consulta, numa sacola, tudo o que você toma de verdade, incluindo vitaminas, chás e fitoterápicos. Pergunte sem constrangimento: “Eu ainda preciso de todos?”. Mas atenção: nunca suspenda um medicamento por conta própria. Retirar o que sobra é uma decisão médica, feita com planejamento e acompanhamento.
Levante-se devagar
Uma das novidades do documento é um capítulo inteiro dedicado aos desmaios na pessoa idosa, algo inédito nessa série de diretrizes. Muitas vezes, a culpada é a pressão que despenca quando a pessoa se levanta rápido da cama ou da cadeira, às vezes por efeito de remédios. Por isso, os especialistas recomendam medir a pressão também em pé antes de iniciar ou aumentar o tratamento da hipertensão.
Continua após a publicidade
Na prática: ao acordar, sente-se na beira da cama por alguns instantes antes de ficar de pé. Tontura, vista escura ou pernas bambas ao levantar não são “coisa da idade” e devem ser relatadas ao médico.
Cuide da cabeça, da vacinação e da autonomia
Tristeza persistente e ansiedade não fazem parte do envelhecimento normal. Um grande estudo brasileiro mostrou que quem apresenta depressão e ansiedade ao mesmo tempo tem cerca de três vezes mais chances de encarar entupimentos nas artérias do coração. Falar sobre isso também é tratar o peito.
Continua após a publicidade
A vacinação passou a ser vista como parte obrigatória do cuidado do idoso com doença cardíaca, então mantenha a caderneta em dia.
E suas preferências contam. A diretriz valoriza a decisão compartilhada, em que o paciente diz o que é mais importante para ele: viver mais, sentir-se melhor ou manter a independência. Leve a família, se quiser, e diga o que você deseja.
Continua após a publicidade
O Brasil foi pioneiro: publicou, em 2002, a primeira diretriz de cardiologia do idoso do mundo. Mais de duas décadas depois, a mensagem amadureceu. O coração não tem certidão de nascimento. O coração sadio é o resultado do modo como vivemos hoje e das decisões que tomamos ao longo da vida.