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A Agência Europeia de Medicamentos recomendou o orforglipron (Foundayo), da Eli Lilly, para controle de peso e diabetes tipo 2. Diferente do Ozempic por ser um comprimido de pequena molécula que pode ser tomado a qualquer hora, mostrou em estudos perda de peso significativa e controle da glicose, além de segurança cardiovascular. No Brasil, ainda não há previsão de venda.
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Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.
A Agência Europeia de Medicamentos recomendou a aprovação do orforglipron, comprimido da farmacêutica Eli Lilly já vendido nos Estados Unidos com o nome comercial Foundayo. O parecer favorável do comitê de medicamentos de uso humano da agência vale para duas frentes: o controle do peso em adultos com obesidade ou sobrepeso e o tratamento do diabetes tipo 2.
O orforglipron pertence à mesma família do Ozempic, a dos agonistas do GLP-1, hormônio intestinal que aumenta a saciedade e ajuda o pâncreas a liberar insulina. A diferença está na química. Em vez de um peptídeo, que precisa ser injetado ou tomado em jejum rigoroso, trata-se de uma molécula pequena, que resiste à digestão.
Na prática, o comprimido pode ser engolido a qualquer hora, com ou sem comida, ao contrário da semaglutida oral, que exige estômago vazio, pouca água e meia hora de espera antes da primeira refeição.
Perda de peso com e sem diabetes
O principal estudo a validar o remédio, o ATTAIN-1, publicado no New England Journal of Medicine, acompanhou 3.127 adultos com obesidade ou sobrepeso e sem diabetes durante 72 semanas, incluindo voluntários brasileiros. Na dose mais alta, quem seguiu o tratamento perdeu em média 12,4% do peso, cerca de 12 quilos, contra 0,9% no grupo placebo. Pouco mais da metade dos voluntários na dose máxima eliminou ao menos 10% do peso, e pouco mais de um terço chegou a 15%.
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No ATTAIN-2, com 1.613 pessoas com excesso de peso e diabetes tipo 2, a perda chegou a 10,5% (cerca de 10 quilos) na dose mais alta, ante 2,2% com placebo. O resultado um pouco menor é esperado: pessoas com diabetes costumam emagrecer menos com qualquer tratamento.
Glicose sob controle
No diabetes, o programa de estudos ACHIEVE reuniu mais de 6.000 pacientes. No ACHIEVE-1, com pessoas que ainda não usavam remédio para a doença, a hemoglobina glicada, exame que reflete a média da glicose nos últimos três meses, caiu de 1,3 a 1,6 ponto percentual em 40 semanas, partindo de 8%, enquanto no placebo praticamente não se mexeu. Até três em cada quatro pacientes atingiram a meta de glicada abaixo de 7%.
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No ACHIEVE-3, publicado na revista The Lancet, o comprimido enfrentou diretamente a semaglutida oral em quem já tomava metformina: na dose mais alta, derrubou a glicada em 2,2 pontos, contra 1,4 do rival, e levou 77% dos pacientes a valores abaixo de 6,5%, ante 51%.
Segurança cardíaca
A segurança cardiovascular, exigência das agências para remédios de diabetes, foi avaliada no ACHIEVE-4, o maior e mais longo estudo da molécula. Foram 2.749 pacientes com diabetes tipo 2, excesso de peso e risco cardiovascular elevado, em 15 países, comparados por até dois anos com a insulina glargina. O objetivo principal era mostrar que o comprimido não aumenta o risco de morte cardiovascular, infarto, derrame ou internação por angina instável. A meta foi cumprida: o risco desses eventos foi 16% menor no grupo do orforglipron, diferença que, pela margem estatística, comprova a segurança cardiovascular.
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Análises planejadas apontaram ainda menos mortes por qualquer causa com o comprimido, um sinal animador que precisa ser confirmado, já que não fazia parte do objetivo principal e o estudo era aberto, isto é, médicos e pacientes sabiam qual tratamento recebiam. A glicada caiu 1,6 ponto com o orforglipron e 1,0 com a insulina em um ano. O peso recuou 8,8% com a pílula e subiu 1,7% com a glargina.
Os efeitos colaterais
O perfil de efeitos adversos é o já conhecido da classe: náusea, vômitos, diarreia, prisão de ventre e má digestão, em geral leves ou moderados e concentrados no período de aumento progressivo da dose. No ATTAIN-1, a náusea atingiu cerca de um terço dos voluntários.
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A tolerância merece atenção: de 5% a 10% abandonaram o tratamento por efeitos colaterais, contra 2,6% no placebo, e no confronto com a semaglutida oral a desistência foi quase o dobro.
Autorizações pelo mundo
Nos Estados Unidos, onde foi aprovado em abril em tempo recorde, o Foundayo tem uma única indicação: o tratamento crônico do peso em adultos com índice de massa corporal a partir de 30, ou a partir de 27 com ao menos uma doença associada, sempre ao lado de dieta e atividade física. O pedido para diabetes foi protocolado e aguarda decisão.
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Na Europa, a recomendação é mais ampla. Além do controle de peso, com os mesmos critérios, inclui o diabetes tipo 2 não controlado com dieta e exercício, seja como tratamento único, quando a metformina não puder ser usada, seja em combinação com outros remédios. O Reino Unido, fora da União Europeia, já havia autorizado o uso duplo em agosto.
E no Brasil?
O orforglipron não está aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária e, portanto, não pode ser vendido no país. A Lilly afirma ter submetido o pedido de registro e projeta a chegada até o segundo semestre de 2027, a depender do ritmo da análise. Depois do registro, o preço máximo ainda precisará ser definido pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos, e a eventual oferta no SUS dependeria de avaliação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias.
Até lá, qualquer produto anunciado como orforglipron no Brasil é irregular, sem garantia de procedência, e pode ser falsificado.