O câncer de intestino, também conhecido como câncer colorretal, pode evoluir sem apresentar sintomas nas fases iniciais. A falta de sinais evidentes dificulta a identificação da doença, o que reforça a importância de reconhecer possíveis alterações no organismo e procurar avaliação médica quando necessário.
A doença voltou a ganhar atenção após a morte da atriz e cantora Lua Blanco, aos 39 anos, no domingo, dia 18. O caso chama a atenção para um tipo de tumor frequentemente associado a pessoas mais velhas, mas que também pode atingir jovens.
O câncer de intestino abrange os tumores que se iniciam no intestino grosso, chamado cólon, e no reto, que corresponde aos 15 cm finais do intestino, imediatamente antes do ânus.
Segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), é um dos tipos de câncer mais comuns no mundo, sendo o terceiro mais incidente no Brasil.
A doença é tratável e, na maioria dos casos, curável, desde que seja detectada precocemente, quando ainda não se espalhou para outros órgãos.
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Grande parte desses tumores começa a partir de pólipos, lesões benignas que podem crescer na parede interna do intestino grosso.
Quais são os sintomas do câncer de intestino?
De acordo com o INCA, alguns sintomas podem indicar a necessidade de investigação médica. Entre os principais estão:
Sangue nas fezes;
Mudanças no funcionamento do intestino: diarreia, prisão de ventre ou alternância entre os dois, especialmente quando persistentes;
Dor ou desconforto abdominal: cólicas frequentes e dores sem causa aparente merecem atenção;
Perda de peso inexplicada: emagrecimento sem mudanças na alimentação ou na rotina;
Anemia, cansaço e fraqueza: podem estar relacionados, entre outras causas, a perdas de sangue pelo intestino;
Alterações no formato das fezes: fezes mais finas ou mudanças persistentes no padrão de evacuação também devem ser investigadas.
A presença desses sintomas não significa necessariamente câncer. Hemorroidas, infecções e outras doenças intestinais podem provocar manifestações semelhantes.
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Ainda assim, principalmente quando os sinais persistem ou aparecem associados, é importante procurar atendimento médico para identificar a causa.
Quais exames podem detectar a doença?
A investigação depende dos sintomas, da idade, do histórico familiar e da avaliação clínica. Entre os exames utilizados estão:
Teste de sangue oculto nas fezes: identifica pequenas quantidades de sangue que podem não ser percebidas a olho nu. Um resultado positivo não confirma câncer, mas indica a necessidade de avaliação complementar;
Colonoscopia: permite examinar a parte interna do intestino grosso e do reto. Durante o procedimento, o médico pode identificar alterações, retirar pólipos e coletar amostras de tecido para análise;
Biópsia: quando há uma lesão suspeita, a análise do material coletado pode confirmar se existem células cancerígenas.
O diagnóstico pode exigir outros exames, conforme as características de cada caso. A escolha dos procedimentos deve ser feita por um profissional de saúde.
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O Sistema Único de Saúde (SUS) incorporou recentemente um teste de alta tecnologia para detecção das lesões antes do aparecimento dos sintomas sem a necessidade de exames invasivos.
O FIT, sigla em inglês para Teste Imunoquímico Fecal, é um exame não invasivo capaz de identificar a doença antes do aparecimento dos sintomas. Segundo a pasta, a chegada do teste pode ampliar o acesso ao diagnóstico para mais de 40 milhões de brasileiros.
O novo protocolo do SUS prevê que o FIT será o exame de referência para pessoas de 50 a 75 anos assintomáticas. Isso é importante porque os tumores no intestino podem desencadear sintomas que costumam ser ignorados pelos pacientes ou confundidos com problemas de saúde menos graves.
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O FIT é uma evolução do exame de sangue oculto nas fezes, pois consegue detectar a presença de sangue que pode ter relação com pólipos, lesões pré-cancerígenas e o próprio câncer colorretal utilizando anticorpos específicos. A capacidade do teste para detecção do tumor chega a 92%.
Crescimento entre jovens
O câncer colorretal é o exemplo mais emblemático de tumores que estão aparecendo com mais frequência em adultos jovens. Estudos apontam que, em comparação com a década de 1950, essa população enfrenta um risco duas vezes maior de desenvolver a doença no intestino grosso e quatro vezes maior de enfrentar um diagnóstico no reto.
Entre os fatores associados ao maior risco estão o histórico familiar de câncer colorretal, algumas síndromes hereditárias, o sedentarismo, a obesidade, o consumo de bebidas alcoólicas, o tabagismo e uma alimentação com consumo elevado de ultraprocessados.