CORPO COMO FRONTEIRA: Fotografias que cruzam cultura história e identidade

87Quem passa pela avenida Samora Machel, na cidade de Maputo, depara-se com um cenário improvável: fotografias de grandes dimensões patentes nas grades do Centro Cultural Franco-Moçambicano (CCFM). É uma exposição fotográfica, disponível até ao dia 20 de Novembro, intitulada “O Corpo como Fronteira” da autoria de Ildefonso Colaço, um dos nomes que mais ecoam na geração actual de fotógrafos.Colaço faz cliques da cidade, dá vida a espaços implausíveis, transforma pessoas em personagens e brinda os peões com imagens transformadas em arte, capturadas pela sua lente. Traz vivências do dia-a-dia dos moçambicanos, seja mostrando a habilidade de estar na moda mesmo vestindo xicalamidade, seja exibindo cenários de casas de madeira e zinco, que caracterizam alguns dos nossos lugares ou pelo ambiente rural que se é transportado para a cidade.“Corpo como Fronteira” reflecte sobre o corpo enquanto espaço político, poético e simbólico, e cruza identidade, memória, cultura e história. Ao longo do processo de criação do projecto, o fotógrafo reuniu todos elementos com os quais habitualmente trabalha para criar o conceito.Desse modo, avança, “aqui em vez das fronteiras estarem em lugares, o corpo passa a adoptar essa designação. A ideia não é o lugar, mas a pessoa, por isso tens posturas de diferentes lugares. As fronteiras nessas posições somos nós. Nós é que definimos e servimos estes lugares.”Assim, explica, o conceito constitui uma brincadeira de troca de designações, de assumir que existem fronteiras que o homem precisa de atravessar. “Mas aqui o corpo adopta isso. Ocupa. Carrega toda essa carga simbólica, por isso não tens pessoas (nas imagens), tens personagens a adoptar essa ideia de fronteira”. Falando em personagens, na mostra, não se vêem rostos, mas máscaras que cobrem a face e fazem-nos viajar ao mapiko, à cultura Makonde. Leia mais…

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