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O diretor de ‘Feito Pipa’ reflete sobre a indicação do filme ao Oscar de Melhor Filme Internacional, o sucesso da narrativa sob o ponto de vista de um menino e a identificação do público. Ele discute o cinema brasileiro, o papel do streaming e a influência das paisagens do Ceará em sua obra, além de abordar temas como o Alzheimer.
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Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.
Ficou surpreso com o anúncio de que Feito Pipa, que conta a história de um garoto apaixonado por futebol, foi escolhido no país para brigar por uma indicação de melhor filme internacional no Oscar? O Oscar nunca esteve no meu radar. Estreamos no Festival de Berlim e saímos com dois prêmios. Chegar a Hollywood é, sem dúvida, uma oportunidade inimaginável. Mas não sou deslumbrado, sou muito pé no chão.
Está otimista para levar a estatueta? Acredito que temos chance, sim. Nas duas últimas edições do Oscar, houve expectativa dos brasileiros de conquistar o prêmio. Queremos finalmente satisfazer esse desejo. Já estou indo a todos os eventos que acompanham a pré-indicação.
A que atribui o sucesso do filme até aqui? Toda a narrativa é conduzida sob o ponto de vista de um menino. Ele é complexo, cheio de camadas, e o espectador vai se importando com o personagem. É fácil se identificar e se comover com o seu olhar.
O público brasileiro ainda prefere blockbusters estrangeiros a produções nacionais? Existe essa desigualdade e está nas nossas mãos mudar isso. Quando uma história dialoga com a audiência, seja na comédia, no drama ou no entretenimento, pode virar sucesso. Aposto em toda a capacidade do cinema brasileiro.
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Engrossa a queixa de que os filmes chegam cada vez mais rápido ao streaming, esvaziando os cinemas? A maioria das cidades do país não tem sala de exibição, e o streaming democratiza o cinema, um papel antes da TV. Mas quero que meu filme, que estreia em 5 de novembro, siga nas salas enquanto houver gente querendo vê-lo.
Em que medida as paisagens do Ceará, sua terra natal, o influenciam? Nasci em Russas e comecei a pensar em cinema na única sala que existia na cidade. Até hoje as paisagens que me inspiram são as do Nordeste. Cheguei a perceber um preconceito no começo, às vezes em forma de curiosidade, mas nunca me apeguei a isso.
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O filme se desenrola em torno de uma criança que vive com uma avó com Alzheimer. Já teve alguma experiência pessoal com a doença? Não, mas, conforme vou envelhecendo, começo a perceber mudanças na memória. Pensar no esquecimento me assusta profundamente. O Alzheimer transforma as relações familiares e mexe com os laços e as histórias que construímos. Usamos o personagem para trazer reflexões sobre a própria condição humana.
Publicado em VEJA de 16 de outubro de 2026, edição nº 3017