Adriana Calcanhotto não tem medo da enxurrada de informação que chega pelas telas. O que a incomoda é outra coisa. “Eu não vejo nenhum problema no excesso de informação. Eu vejo o problema no excesso de consumo, no excesso de violência, excesso de fake news, de mentira”, diz a VEJA. É esse incômodo que atravessa Vice-Versa, primeiro disco dela em dupla com Arnaldo Antunes, lançado em setembro.
Cada canção mira um excesso diferente. Na Minha Carne Viva trata da opinião alheia sobre a vida de cada um; As Bancas de Jornais, da desinformação; Também Capaz, da falta de serenidade em meio a tantos compromissos. Arnaldo vê no presente um agravante. “A gente vive uma época de excessos. É principalmente uma época de muita mentira, de simulacros, de falsificações potencializadas pelos meios digitais. Isso tudo é um pouco assustador.”
Curiosamente, nada disso foi planejado. Os dois não sentaram para escolher assuntos antes de compor. Segundo Arnaldo, o tema nasce do próprio trabalho, puxado pela melodia e pelas palavras, como acontece com seus poemas. “Eu não falo: vou fazer um poema sobre isso. Eu começo a fazer, vem uma associação de palavras, e aquilo vai se desenvolvendo e vai achando o seu assunto do próprio fazer. Então, a forma e o conteúdo vêm juntos.”
Continua após a publicidade
O que torna isso possível é a intimidade. Arnaldo, que construiu a carreira compondo em grupo, dos Titãs aos Tribalistas, diz que considera todos os parceiros amigos. “Eu acho que tem uma coisa que, se não tiver uma empatia, uma afinidade emocional, afetiva, não sai.”
Se o disco soa atual, Adriana faz questão de corrigir a impressão. “Eu não acho que os temas são atuais. Infelizmente, eles são os mesmos temas. Como o Arnaldo diz, são potencializados pela coisa digital, pela IA. Mas são os velhos temas.” E vai além: “A gente continua em guerra. Mas qual foi o tempo que não foi de guerras? E isso para mim é que é o pior de tudo. É que os temas não são novos.”
Continua após a publicidade
As canções agora seguem para o palco a partir de março de 2027. A turnê nasceu de um vazio. Depois do show que fizeram juntos no Coala Festival, em 2024, os dois voltaram ao camarim com a sensação de que a história não podia terminar ali. Daí veio a vontade de pegar a estrada, mas com repertório novo.
O roteiro ainda está em gestação. Adriana já começou a sua parte da lição de casa. “Eu estou fazendo a minha lista das canções dele que eu quero cantar. Talvez o show tenha três atos.” Arnaldo adianta que devem entrar músicas que marcaram os trinta anos de amizade, como Estrelas, parceria dele com Sérgio Britto gravada por Adriana nos anos 1990, além de trechos do show do Coala e canções recentes de cada um que conversem com a sonoridade de Vice-Versa. A direção de arte é de Daniela Thomas, que assinou a cenografia de Tempo Rei, a última turnê de Gilberto Gil.
Continua após a publicidade
Serviço: Turnê Vice-Versa, de Adriana Calcanhotto e Arnaldo Antunes6 de março de 2027 – São Paulo – Espaço Unimed20 de março de 2027 – Rio de Janeiro – Qualistage
Continua após a publicidade
3 de abril de 2027 – Belo Horizonte – Minascentro10 de abril de 2027 – Recife – Teatro Guararapes23 de abril de 2027 – Porto Alegre – Auditório Araújo Vianna24 de abril de 2027 – Curitiba – Teatro Positivo
Continua após a publicidade
Ingressos à venda no site oficial do projeto.