A poeta que transforma renda em joia em Óbidos, Portugal

Natália Santos, a Poeta Rendeira de Óbidos (Giovanna Fraguito/VEJA)

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Na Livraria de Santiago, junto às muralhas do castelo de Óbidos, em Portugal, que a artesã Natália Santos, 80, conhecida como Poeta Rendeira, reinventa uma tradição portuguesa de séculos: em vez das rendas brancas usadas em lençóis e enxovais, entrelaça fios dourados e prateados para criar brincos, colares, cruzes e outras peças de joalheria, cada uma acompanhada por um poema. O espaço dedicado ao trabalho da artista foi inaugurado no coro de uma antiga igreja transformada em livraria em 2015.
A relação com os bilros começou ainda na infância. “Aprendi este trabalho quando tinha 9 anos. A tradição é branca, voltada para lençóis e outras peças. Pensei em inovar, fazer como se fossem joias. Não é prata nem ouro, são linhas diferentes”, contou à coluna GENTE. A poesia veio quase ao mesmo tempo. Natália diz escrever desde os 10 anos e encontrou uma maneira de fazer as duas paixões caberem no mesmo objeto. “Gosto de poesia, gosto de desenhar coisas novas, tudo de minha autoria. Pensei em juntar uma coisa à outra.”
O endereço também parece feito sob medida para quem trabalha pensando em palavras. Ex-catequista, Natália diz guardar uma relação afetiva com a igreja e aproveita o silêncio do antigo coro para compor enquanto as mãos trabalham. “Gosto deste cantinho. Como estou sozinha, gosto de pensar, de escrever, de desenhar. Vou trabalhando com os bilros e pensando na poesia.” Algumas peças já viajaram pelo mundo nas mãos de turistas. Outras parecem ganhar voz antes de sair dali. Ao mostrar uma pequena cruz à reportagem, Natália declamou os versos que a acompanham: “Sou uma cruz levezinha / Ouve bem o que te digo / Se a tua for mais pesada / Podes trocá-la comigo.”

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