Atenção: este texto contém spoilers da quara temporada de Ted Lasso
Ted Lasso chegou ao final da quarta temporada, agora focada em um time feminino, na última quarta-feira, 6. A VEJA, o ator Brendan Hunt, intérprete do infame Coach Beard na série do Apple TV, fez um balanço da comédia protagonizada por Jason Sudeikis como o treinador otimista que teve a partida de uma das personagens mais queridas do programa.
Confira a entrevista:
Ted Lasso teve a despedida dolorosa da personagem Mae (Annette Badland). Por que sentiram que este era o momento certo para a partida dela? Nós nunca tínhamos lidado com a morte no show dessa maneira antes. Já tivemos o funeral do pai da Rebecca (Hannah Waddingham), mas não conhecíamos aquele personagem antes. Também já falamos sobre as perdas do Ted, mas o público, como um todo, ainda não tinha sentido a perda de alguém por quem realmente se importava. Como a série tenta mostrar a vida e as coisas pelas quais todos passamos, a perda é algo que você precisa enfrentar em algum momento. Este pareceu o momento certo, e a Mae parecia a pessoa certa para isso.
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Sendo um dos roteiristas deste episódio final ao lado de Jason Sudeikis, como foi o processo e quais histórias quiserem destacar no encerramento desta etapa? Sabíamos que precisávamos amarrar as pontas das histórias que já vínhamos contando — principalmente a confusão em relação à propriedade do clube, a decisão do Ted de se afastar e o Roy (Brett Goldstein) assumindo o Chelsea. Foi uma questão de alinhar e concluir tudo o que tínhamos construído. Não adicionamos novas tramas no final, apenas fechamos o que já estava em andamento.
Com a promoção da Alice (Tanya Reynolds), como fica a dinâmica e o arco do Coach Beard daqui para frente? Isso ainda resta saber. É uma das coisas que mais me interessam caso tenhamos a sorte de fazer uma quinta temporada: qual será a nova dinâmica na sala dos técnicos? Eu realmente não sei, mas estou animado para descobrir.
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Ainda não temos uma confirmação oficial sobre uma quinta temporada que possa adiantar?mEu adoraria ter essa confirmação! Seria incrível.
Ao longo da temporada, vimos o Coach Beard lutando contra seu relacionamento problemático com a Jane (Phoebe Walsh). Na sua opinião, por que ele não consegue se libertar completamente dela? Ele até tenta se afastar, mas aí esbarra com aquele cartaz da peça de teatro onde ele mesmo aparece, e ela o puxa de volta. E quando ele fica perto dela, acho que entra em cena uma questão de feromônios. Não sei se você já teve essa química incontrolável com alguém, mas é muito difícil fugir disso. Ela continua lançando suas amarras sobre ele. Mas quem sabe o novo corte de cabelo no final não seja uma purificação definitiva?
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Sobre essa crise de meia-idade do Beard e as mudanças no visual: como foi construir essa jornada dele especificamente nesta temporada? Foi muito divertido. O legal de transformar isso em uma história visual é que ela não precisava ocupar muito espaço no roteiro escrito; podia simplesmente acontecer em segundo plano. Talvez eu tenha subestimado o tempo extra que passaria na cadeira de maquiagem todas as manhãs, o que mudou um pouco a minha rotina, mas no geral foi muito divertido de fazer.
Olhando para o alcance que Ted Lasso conquistou até aqui, qual você diria que foi o ponto alto dessa nova fase da série? É difícil destacar uma coisa só. Por um lado, reencontrar o elenco e a equipe antiga e trabalhar com meus amigos de novo foi maravilhoso. Por outro, conhecer pessoas novas e trazê-las para o grupo também foi incrível. O que faz tudo valer a pena é simplesmente estar com as pessoas — tanto as antigas quanto as novas.
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Em um cenário hipotético para os próximos anos, que tipo de história você gostaria de ver para o Beard no futuro? A única coisa que me pergunto sobre o Beard é se ele eventualmente encontrará algo próximo da paz. Ele ainda luta contra seus próprios demônios, e sabemos que esses demônios podem ser engatilhados. Existe um limite para o “Efeito Ted”. Então, não sei: será que ele encontrará a paz ou está fadado a ser sempre um pouco torturado? Veremos.
Além do Beard, consegue imaginar algum outro personagem de Ted Lasso ganhando seu próprio spinoff algum dia? Qualquer um deles! Qualquer personagem poderia ter seu próprio spinoff a longo prazo. É impossível escolher apenas um, porque dá para imaginar isso funcionando com praticamente qualquer integrante da série.
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Ted Lasso começou parecendo uma série sobre futebol, mas aborda temas profundos como amizade, sentimentos e masculinidade tóxica. Você acha que a série conseguiu dialogar com os homens em geral sobre esses assuntos? Não tenho certeza. Não sei se podemos dizer que a masculinidade tóxica está diminuindo — infelizmente, ela ainda parece estar no comando de muita coisa por aí. Mas espero que a série faça as pessoas refletirem um pouco, especialmente os mais jovens, para que eles levem essas lições adiante.
Quando analisa o quanto Ted Lasso mudou com o passar dos anos, qual considera a transformação mais significativa? A mudança para o time feminino foi algo muito grande. Mas, no geral, sinto que tudo foi mais um processo de crescimento do que de mudança drástica. Quando você está dentro do processo, tudo acontece de forma muito gradual. É como quando você tem quatro anos e meio: não percebe que cresceu meio centímetro, até que alguém mede você mais tarde. Só espero que estejamos crescendo mais do que apenas mudando.
Pode adiantar algo sobre sua participação na série Murderbot? Não posso revelar muito porque ainda não me autorizaram, mas gravamos na Espanha — então, obrigado pela viagem à Espanha, Apple! Pude trabalhar com pessoas incríveis, em especial com o Chris Whites, de quem sou amigo há muito tempo e nunca tinha tido a oportunidade de atuar junto. Foi uma experiência excelente.