Aos 76 anos, a poetisa canadense Anne Carson venceu o Prêmio Nobel de Literatura 2026, anunciado na manhã desta quinta-feira, 8, pela Academia Sueca. Conhecida por um estilo de escrita que flui entre prosa e poesia e entrelaça figuras da mitologia greco-romana com elementos contemporâneos, a autora possui uma série de livros publicados no Brasil. Confira 5 obras essenciais da vencedora:
Autobiografia do Vermelho: Um romance em versos
Um dos livros mais conhecidos de Carson, Autobiografia do Vermelho foi lançado originalmente em 1998 e se trata de uma reinvenção do clássico mito grego de Gerião, um monstro alado vermelho a quem Héracles precisa matar para cumprir um de seus doze trabalhos. A partir de fragmentos do poeta antigo Estesícoro, a história é recriada sob a ótica dos tempos modernos, com Gerião sendo um menino sensível, tímido e homossexual que vive uma relação de amor intensa com Héracles. Ao mesmo tempo em que busca compreender sua própria “monstruosidade” diante do mundo, o jovem também lida com uma relação conturbada com o irmão mais velho e o afastamento da mãe.
Antigonick
– (Amazon/Reprodução)
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Inspirada pela tragédia clássica de Sófocles, a autora reinventa momentos da obra grega Édipo Rei a partir da visão de Antígona, que desafia o rei Creonte ao enterrar e honrar a memória de seu irmão Polinices, que havia sido considerado um traidor. Condenada de maneira tirânica pelo rei, a personagem representa um novo olhar sobre o clássico, mais radical e político. Entre ironias e sobreposições de tempo, Carson introduz Nick na história, um personagem silencioso que mede as coisas em cena e evoca o mundo de regras e limites em que o drama está inserido.
Eros, o doce-amargo: Um ensaio
Primeiro livro de crítica literária da canadense, Eros, o doce-amargo é um ensaio que explora o desejo a partir de Safo e dos poetas gregos antigos, mesclando teoria, ensaio e poesia. Ao analisar o conceito de “eros” a partir da Grécia antiga, a autora cria uma tese sobre as interpretações existentes do amor e adota uma abordagem espirituosa e ambígua ao longo do ensaio, que é um resultado de sua tese de doutorado.
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A tese central é que o desejo só existe pela falta: ele vive da distância entre quem ama e o que é amado, daí o “doce-amargo” (glukupikron, a palavra grega que Safo usa para o eros). Carson mostra como a literatura, e até a invenção da escrita, nasceu em parte da tentativa de lidar com essa distância.
A Beleza do Marido
Livro que consagrou Anne Carson como a primeira mulher a receber o prêmio T. S. Eliot, A Beleza do Marido é um ensaio ficcional contado em 29 tangos e narrado por uma mulher que reflete sobre a vida com o marido, um homem belo e encantador que a trai incontáveis vezes. A ideia do “tango” é que, assim como em um casamento, é preciso dançar até o fim. A partir de cenas cômicas, eróticas e dolorosas, a trama acompanha uma relação que se desmorona, com fragmentos que avançam e recuam no tempo, do namoro ao fim do matrimônio.
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Sobre aquilo em que eu mais penso: Ensaios
Coletânea de ensaios, a obra reúne uma série de textos de Carson que misturam reflexão pessoal, poesia e crítica. Organizada em onze textos, escritos ao longo de mais de uma década, Sobre aquilo em que eu mais penso traz uma visão abrangente sobre os principais interesses da autora. Transitando entre prosa e poesia, o livro dialoga com visões e pensamentos de outros autores, como o tempo em Virginia Woolf e Tucídides, o sono em Homero e Elizabeth Bishop, o documental em Longino e Antonioni e o intraduzível em Francis Bacon e Joana D’Arc.
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