Ler Resumo
O Prêmio Nobel de Medicina deste ano reconheceu a optogenética, uma técnica revolucionária que permite controlar células cerebrais com luz. Neurocientistas desvendaram como essa descoberta, iniciada por uma alga, transformou o estudo do cérebro, aprofundando o entendimento de doenças como Parkinson e epilepsia, e abrindo caminho para novas terapias.
Este resumo foi útil?
👍👎
Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.
“Uma pergunta curiosa sobre como uma alga encontra a luz acabou iluminando o funcionamento do nosso próprio cérebro.” É assim que o neurocientista Victor Santos, pesquisador apoiado pelo IDOR Ciência Pioneira, resume a saga da linha de pesquisa contemplada com o Prêmio Nobel de Medicina deste ano.
A láurea, anunciada em Estocolmo nesta manhã, foi concedida a três cientistas – o americano Karl Deisseroth e os alemães Peter Hegemann e Georg Nagel – por suas “descobertas relacionadas a canais iônicos controlados pela luz e à optogenética”. Em outras palavras, o trio ajudou a descortinar, em uma série de experimentos em laboratório, como estímulos luminosos podem ativar ou desativar certas células.
“A optogenética mudou a forma como estudamos o cérebro”, afirma Santos, que é professor do Instituto de Ciências Biológicas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
O neurocientista Victor Santos (Foto: IDOR/Reprodução)
Continua após a publicidade
“Até o início dos anos 2000, boa parte da neurociência dependia de correlações: víamos uma região se ativar durante um comportamento, mas era difícil provar que ela era a causa. Ao introduzir nos neurônios uma proteína de alga sensível à luz, Hegemann, Nagel e Deisseroth nos deram uma forma de ligar e desligar grupos específicos de células com precisão de milissegundos”, explica.
A técnica foi especialmente importante para investigar o sistema nervoso. “Ela permitiu testar, de forma direta, quais circuitos sustentam uma memória, uma emoção ou um movimento, e transformou hipóteses antigas em experimentos”, afirma Santos.
Continua após a publicidade
O cientista conta que as aplicações mais imediatas dessa metodologia estão realmente na pesquisa. “Graças à optogenética, entendemos melhor os circuitos envolvidos no medo, na ansiedade, no vício, na depressão, no Parkinson e na epilepsia, que é o foco do meu trabalho.”
O professor relata que, em experiências com animais, esse recurso já permitiu interromper crises epilépticas ao silenciar, no lugar e no momento certos, os neurônios que as desencadeiam. “Esse conhecimento orienta o desenvolvimento de novos medicamentos e o aperfeiçoamento de terapias que já existem, como a estimulação cerebral profunda.”
Continua após a publicidade
Mas já existem aplicações práticas da linha de pesquisa desbravada pelos eleitos do comitê do Nobel do Instituto Karolinska? “Na clínica, ainda estamos no começo, e é preciso cautela”, responde Santos.
“Os primeiros estudos buscam restaurar parte da visão em pacientes com doenças degenerativas da retina, e há pesquisas em andamento para implantes auditivos baseados em luz. O desafio é levar o gene e a luz até as células de forma segura, o que exige tempo e muitos testes”, esclarece o neurocientista da UFMG e do IDOR.
Continua após a publicidade
“Mas, independentemente de quando essas terapias chegarem, o legado já é enorme”, diz Santos.