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Kadu Moliterno, ícone da TV brasileira, reflete sobre sua pausa na carreira e a busca por novos papéis. O ator desmistifica a polêmica sobre não querer interpretar avós e compartilha o incômodo de perceber que as novas gerações da TV não o conhecem. Ele revela a necessidade de se adaptar ao mercado atual, suas conversas para retomar a atuação e a vida pessoal.
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Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.
Com dezenas de participações em telenovelas desde a década de 1970, Kadu Moliterno, 74, é um dos principais nomes da teledramaturgia brasileira. Destaque em produções como Armação Ilimitada, Paraíso e Anjo Mau, o ator está afastado das telas desde 2019 e tem chamado atenção pela busca por novas oportunidades nesta fase da carreira. Em entrevista exclusiva à coluna GENTE, Kadu destacou a procura por um papel que se “encaixe em seu perfil”, negou rejeitar personagens de avô e revelou o incômodo que sente ao perceber que a nova geração da TV aparentemente já não o conhece.
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Leia a conversa completa abaixo:
Você é um nome célebre da TV brasileira, embora esteja afastado das telas há algum tempo. Qual é o atual momento do Kadu? Eu estou em um momento muito legal. Acho que é um dos melhores momentos para eu voltar à televisão, pois acumulei uma experiência de vida. Tenho muita vontade de voltar a trabalhar, de voltar a fazer novelas, a fazer séries. Mas sempre focando em personagens que me desafiem. Estou aguardando o momento certo de ser chamado.
Teve grande repercussão uma fala sua a respeito de não querer interpretar papel de avô. O que exatamente você quis dizer com isso? Foi uma brincadeira. Quando você fala as coisas com humor, no vídeo, é compreensível. Mas quando passa a declaração para o texto, ela é interpretada da forma mais crua possível. Eu jamais faria uma declaração dessas contra a minha faixa etária. Eu não posso fazer um garoto de 20, 30 anos. Tenho que fazer algo dentro do meu perfil. Se o meu perfil pede isso, tudo bem. Só que, por estar em forma, posso pegar personagens de 50, 60 anos, sabe?
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Como lidou ao perceber que estava envelhecendo e se afastando do estereótipo de galã pelo qual ficou conhecido? Sempre encarei numa boa. Não se pode lutar contra a vida, contra o que vai acontecer. O presente é muito importante. Tenho que saber que tenho a idade que tenho, que vou ser visto de determinada forma e que cada fase tem a sua importância.
Já conversou com outros atores e atrizes que passaram pela mesma experiência que você sobre o envelhecimento e a carreira? Vi alguns desabafos pelas redes sociais. São pessoas que também tiveram seus momentos na carreira e hoje não estão sendo aproveitadas. Acredito que os autores têm que ter um olhar mais amplo. Eles dizem que o diretor de elenco não conhece a gente, eles têm entre 25 e 35 anos. Acho que para você ser um diretor de elenco, deveria pesquisar, conhecer a história das pessoas. Fui fazer um cadastro na Globo faz algum tempo, porque me disseram isso: “Você tem que renovar o teu cadastro, porque eles não te conhecem”. Eu falei: “Tá, eu vou”. Me mandaram um texto, um monólogo. Eu fui, decorei, gravei. Me pediram para fazer de novo, eu fiz. O mercado mudou completamente. Antigamente tinha o Boni, Mário Lúcio, Paulinho Ubiratan. Pessoas que você olhava no olho, apresentava um projeto e ele acontecia. Hoje em dia, não. As empresas mudaram, e são outras pessoas que tomam conta da área artística. Temos que nos adaptar a esse novo momento da indústria.
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Quando você foi fazer esse cadastro? No começo do ano. Lembro que me falaram: “Você não quer fazer de novo? “. Eu disse: “Tá bom, vou sim. Não tem problema”. Eu não tenho esse ego que muita gente tem. Acredito que temos que ser simples o tempo todo e estar disponíveis. Não tenho problema nenhum se tiver que refazer o cadastro.
A TV Globo foi sua casa por décadas, você fez papéis relevantes lá dentro e agora está tendo que ir refazer seu cadastro. Isso não mexeu com você? Mexeu por dentro, mas não coloquei isso para fora. É lógico que, após você fazer vários protagonistas, ter uma história que pouca gente tem dentro da emissora e chegar ali diante de um diretor que não te conhece — ou que finge que não te conhece —, a gente fica incomodado. É natural. Levei isso na esportiva. Falei: “Bom, vamos lá. Se é importante para voltar à televisão, eu vou fazer”. Mas, por dentro, a gente fica incomodado. É como pegar o Pelé, na época em que ele foi para o New York Cosmos, e colocá-lo para fazer um teste: “Queremos ver você bater de esquerda, de direita, cabecear, para ver se está em condições”. O Pelé vai falar: “Tá legal, vou fazer”, mas por dentro ele vai pensar: “Esse cara tá brincando comigo”. Não querendo me comparar com o Pelé de jeito nenhum, é só uma analogia.
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Você tem conversas em andamento para assumir algo na TV, no cinema, ou até nos streamings? Tenho algumas conversas sobre as quais não posso abrir muitos detalhes. Estou em conversas com a TV Globo, com a TV Record e com algumas séries que estão no ar. Duas dessas eu gosto muito. Entrei em contato com quem está produzindo, quem escreve, e todo mundo fala: “Seria um grande prazer ter você, Kadu”. Mas, enquanto não temos o martelo batido, não tem contrato assinado, não vou divulgar.
Qual é a rotina do Kadu atualmente? Estou me dedicando quase 100% ao meu monólogo, Por Trás da Fama. A minha rotina é acordar às 4h30, 5h da manhã. Às 6h, estou na academia, volto às 7h30 para casa. E aí é café da manhã, ir para o mar pegar umas ondas de uma hora, mais ou menos. Volto, almoço e começo a trabalhar no Por Trás da Fama. Eu quero viajar o Brasil inteiro com essa peça, mostrando para o público a vida do artista brasileiro.
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Você fez procedimentos estéticos? O que acha do tema? Acabei indo com a minha esposa. Não era para eu ser consultado, mas o profissional era tão espetacular que olhou para mim e falou: “Poxa, Cadu, se você fizer um negocinho aqui, um negocinho ali, você vai se sentir melhor, a sua autoestima vai… “. Falei: “Então manda”. E aí, enfim, ele acabou fazendo uma parada que me fez sentir mais novo. Quando olhei uma foto de 20 anos atrás, comecei a preferir a de agora. Então, por que não? Eu achei o máximo. E ela gostou também, enfim. É uma coisa de casal que deu certo, né?
Sua esposa, Cristianne Menezes, produz conteúdo para plataformas adultas. Como lida com isso? A nossa relação é baseada na confiança, no respeito e na liberdade. A gente não tem essa dinâmica de controle. Ela tem liberdade para fazer o que quiser da profissão dela, e eu não tenho problema com isso. É uma coisa dela. Como eu tenho as minhas coisas, ela tem as coisas dela. Então, não me incomoda. Eu só procuro não ver. Essa coisa chamou atenção. “Como é que o cara deixa a mulher? “. A gente não tem que deixar nada. Não tem essa dinâmica de controle, de posse.
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Se ela te convidasse para participar, você toparia? Não, eu acho que não cabe (risos). Porque aí entra a questão de explorar a sensualidade do casal. Eu acho que o casal tem que ficar fora disso. Eu não me vejo fazendo. Não me vejo me envolvendo nesse tipo de coisa. Porque isso dá dinheiro. E não é por aí que eu vou buscar a minha liberdade financeira. A minha liberdade financeira vem do meu trabalho. E a liberdade financeira dela vem do trabalho dela. Não é para mim, não é a minha praia.