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Min Jin Lee, aclamada autora de “Pachinko”, lança “Hagwon Americana” no Brasil, obra que mergulha na diáspora coreana e na obsessão educacional. Com base em sua própria experiência de imigração e rigorosa pesquisa, Lee explora as complexidades da vida de imigrantes, o peso sobre as mulheres e a busca por pertencimento em um mundo em conflito, oferecendo uma voz essencial.
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Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.
Aos 7 anos, em 1976, Min Jin Lee emigrou com a família da Coreia do Sul para os Estados Unidos em busca de uma vida melhor. Seu país de origem ainda amargava os impactos sociais e econômicos da ocupação japonesa, ocorrida de 1910 a 1945 — período que abarca a Segunda Guerra Mundial —, e também da Guerra da Coreia, conflito que culminou na divisão do país entre Norte e Sul, em 1953. Criada junto de duas irmãs em um modesto apartamento de um quarto no Queens, em Nova York, a menina buscou refúgio nos livros da biblioteca pública do bairro, enquanto os pais, um executivo de marketing e uma professora de piano na terra natal, se desdobravam em um comércio atacadista de joias. A vivência marcada por privações e pela obstinação dos pais imigrantes serve de matéria-prima para a literatura de Lee, que na terça-feira 6 lança no Brasil Hagwon Americana, livro que a consagra de vez como uma importante testemunha da diáspora coreana pelo mundo.
SÉRIE - Pachinko: sucesso editorial adaptado no Apple TV (Russ Martin/Apple TV/.)
O título é a terceira parte de uma tetralogia sobre a experiência migratória — a primeira é Free Food for Millionaires (2007), ainda sem tradução no Brasil, seguido pelo acachapante Pachinko (2017). A obra, eleita pelo The New York Times como um dos melhores livros do século XXI, tornou a autora famosa no mundo, especialmente após ser adaptado em uma belíssima série melodramática do Apple TV. Agora, aos 57 anos e naturalizada americana, Min Jin Lee atinge um novo patamar criativo.
Na contramão da onda coreana, que fez da cultura pop e do entretenimento do país asiático uma febre global — dos clichês românticos dos k-dramas, ou doramas, e do gênero musical k-pop —, Lee constrói romances sociais de fôlego e profundidade, mas de leitura acessível e envolvente. “Os cidadãos comuns na Coreia do Sul enfrentam dificuldades na economia, na educação, sofrem com baixa taxa de natalidade e questões de saúde mental — coisas reais que não costumam aparecer nas novelas”, explicou ela em entrevista a VEJA.
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DRAMA - Outra cena da produção: mergulho histórico (Russ Martin/Apple TV/.)
Dedicando cerca de uma década de rigorosa pesquisa sociológica a cada projeto, a escritora expõe as fraturas invisíveis da sobrevivência econômica e a penosa busca por pertencimento. Se em Pachinko ela acompanhou quatro gerações de uma família afetada pelas guerras asiáticas, em Hagwon Americana o foco volta-se para uma obsessão da cultura coreana: o ensino nas hagwons, as escolas de reforço particulares do país — instituições de elite voltadas ao preparo de jovens para o estudo no exterior, especialmente nos Estados Unidos. “Queria analisar a razão por trás dessa esperança de que a educação é uma garantia contra o sofrimento”, contou. “Me pergunto se as pessoas realmente ‘vencem’ na vida.”
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Na trama, o casal John e Helen Koh e seus três filhos enfrentam o descompasso entre a promessa da meritocracia, as engrenagens sociais e dramas particulares enquanto transitam entre Coreia do Sul, Austrália e Estados Unidos. Para estruturar seus romances, Lee realiza milhares de entrevistas com coreanos pelo mundo, trajetórias sintetizadas em seus personagens. A abordagem humanista permite conectar crises globais — como a recessão asiática de 1997 ou a crise financeira de 2008 — ao impacto direto na mesa das famílias, onde a história se traduz no custo do leite, do combustível e das mensalidades escolares.
HAGWON AMERICANA de Min Jin Lee (tradução de Alessandra Esteche e Lígia Azevedo, Intrínseca, 688 págs., R$ 99,90 e R$ 69,90 em e-book) (./.)
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Sua literatura ilumina também o peso invisível que recai sobre as mulheres imigrantes, pressionadas tanto pelas exigências de sua terra natal quanto pelas cobranças da nova sociedade onde desembarcam. “Esse fardo é tão esmagador que já vi muitas adoecerem extremamente jovens”, observou. Da mesma forma, expõe que a assimilação cultural raramente garante aceitação plena a quem carrega traços estrangeiros. Ainda residindo em Nova York, ao lado do marido — de ascendência europeia e japonesa — e do filho, Sam, Lee sugere que a verdadeira salvação não está no dinheiro ou no status, mas nos laços humanos. Em tempos de conflitos no mundo, ela se firma como uma voz que merece ser ouvida — dentro e longe de casa.
Publicado em VEJA de 2 de outubro de 2026, edição nº 3015