Lito Sousa é homenageado por seu trabalho: ‘Perdi o medo de andar de avião’

Ler Resumo

O mecânico e piloto Lito Sousa, criador do Aviões e Músicas, faleceu aos 59 anos, vítima da Doença de Creutzfeldt-Jakob. Seu trabalho didático e a máxima “Turbulência não derruba avião” ajudaram milhares de brasileiros a superar o medo de voar, deixando um legado inspirador na aviação e na vida de seus seguidores. Leia mais sobre sua influência.

Este resumo foi útil?

👍👎

Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.

“Turbulência não derruba avião” era uma das máximas mais conhecidas de Lito Sousa, mecânico de aeronaves, piloto e criador do canal Aviões e Músicas, que morreu aos 59 anos, na quinta-feira, 1º, menos de dois meses depois de ter recebido o diagnóstico de Doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ), uma condição rara e ainda sem tratamento.
Com didatismo e paciência, Lito explicava como os aviões funcionam, os riscos reais das turbulências, histórias de acidentes aéreos e procedimentos de segurança. Seu trabalho ajudou milhares de brasileiros a perderem o medo de voar, como mostram centenas de comentários publicados nas redes sociais do influenciador e de sua esposa, Mila Seidl.

Entre os relatos está o da humorista Tata Werneck. “Lito, querido. Consegui entrar num avião com minha filha depois de anos graças a Deus e a conversa com você”, escreveu ela em uma publicação do perfil de Lito que anunciou o diagnóstico, em 21 de agosto.

O medo de voar pode variar de uma ansiedade passageira a uma fobia específica, conhecida como aerofobia. Em situações mais intensas, a pessoa pode evitar viagens ou apresentar sintomas como palpitações, tremores, náusea, tontura e falta de ar. O receio também pode começar antes mesmo do embarque, provocado pela simples expectativa do voo. Foi justamente com esse público que Lito criou uma conexão particular.
A jornalista e youtuber Nil Moretto também contou como os ensinamentos do mecânico de aeronaves a acompanhavam durante os voos. “Foram inúmeras as vezes que o Lito se fez presente com informação que eu acionava na memória quando batia medo numa intercorrência de voo”, disse, em um vídeo gravado por Mila.

Continua após a publicidade

O especialista em aviação também ajudou a esposa a voar sem medo. “Você veio para me salvar. Me salvar do medo de voar (… ) Eu, com muito medo de voar; você, com toda a sua sabedoria, me deu mais do que um próximo destino. Me deu um novo caminho pela imensidão do céu”, disse ela, em vídeo de despedida publicado ontem no canal Aviões e Músicas e nas redes sociais.
“Andar de avião ficou menos traumático”
Entre as centenas de mensagens, muitos passageiros descrevem uma mudança concreta na relação com o avião depois de assistir aos vídeos de Lito.
“Se eu consigo viajar tranquila hoje é por causa do Lito! Nunca vou esquecer o primeiro vídeo dele que assisti e me fez ter menos medo de avião. Hoje trabalho viajando graças a ele”, escreveu uma seguidora.

Continua após a publicidade

O streamer brasileiro Brino também relatou que os conteúdos de Lito foram decisivos para que conseguisse voar. “Lito, obrigado por ter ajudado tantas pessoas, hoje eu só voo de avião porque você me acalmou sem ao menos me conhecer”, disse.
A atriz e influenciadora Maria Bopp afirmou que passou a se lembrar de Lito durante os próprios voos. “Sempre penso no Lito nos meus voos e assim será para sempre, em cada horizonte que eu vir lá do céu”, escreveu.
Outros seguidores descreveram experiências semelhantes. “Tinha muita fobia de avião e morria de medo de voar. Foi assistindo aos vídeos dele no YouTube que consegui perder esse medo”, disse uma seguidora.

Continua após a publicidade

“Minha mente só deixou de me sabotar depois de ouvi-lo. Andar de avião ficou menos traumático”, afirmou outra.
Uma terceira resumiu a influência de Lito em uma frase que dialoga diretamente com sua máxima mais conhecida: “Sempre que entro num avião me lembro das palavras do Lito: ‘turbulência não derruba avião’, e me acalmo”.
O alcance do trabalho de Lito não ficou restrito a quem tinha medo de avião. Seus vídeos também despertaram em algumas pessoas o interesse pela própria profissão.

Continua após a publicidade

“Cheguei aos 40 anos de vida totalmente perdido, sem saber por onde recomeçar, foi então que Deus colocou o Lito em minha vida, e hoje, com 45 anos, sou mecânico de aeronaves, obrigado por me dar um novo rumo, você foi enviado de Deus em minha vida”, escreveu um seguidor em um comentário que recebeu cerca de 10 mil curtidas no YouTube.
Outro admirador contou que trabalha há mais de 16 anos como controlador de tráfego aéreo da Força Aérea Brasileira e acompanhava o canal desde o início. “Acompanho o Lito desde o início do canal, sempre aprendendo com ele, me surpreendendo com as histórias dele, rindo e até mesmo chorando quando ele contava histórias tristes de acidentes”, disse.
A psicóloga Cecília Dassi resumiu a relação criada por Lito com o público em uma frase: “Lito estará vivo em cada coração enfrentando o medo de voar, repetindo para si mesmo ‘turbulência não derruba avião’”.

Continua após a publicidade

No vídeo que homenageia a trajetória de Lito, sua esposa retomou uma das principais lições que diz ter recebido dele. “E talvez seja aqui que a gente precise aprender mais uma vez uma coisa que você nos ensinou o tempo todo: que não precisamos ter medo de voar. Você nos ensinou a olhar para cima”.
ANAC e FAB se pronunciam: ‘Ponte entre a aviação e a sociedade’
A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac e a Força Aérea Brasileira (FAB) lamentaram a morte do piloto.
Em nota, a Anac destacou a trajetória de Lito na área de manutenção aeronáutica e sua contribuição para aproximar o público brasileiro do universo da aviação. A agência afirmou que ele se tornou uma das principais referências na divulgação de conhecimento sobre o setor.
“A aviação brasileira perde hoje um de seus grandes divulgadores. Fica o legado de quem fez do conhecimento uma ponte entre a aviação e a sociedade”, afirmou o órgão.
O que é a doença
A Doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ) faz parte do grupo das chamadas doenças priônicas, condições neurodegenerativas raras que são causadas pelos príons: partículas infecciosas proteicas (do inglês “Proteinaceous Infections Particles“).
Os príons surgem quando proteínas normalmente presentes no corpo alteram seu formato e se aglomeram no cérebro, causando doenças que podem afetar tanto humanos quanto animais. Em muitos casos, a origem da proteína anormal é desconhecida.
A forma mais comum de doença priônica que afeta humanos é a DCJ, um tipo de Encefalopatia Espongiforme Transmissível (EET) que acomete os humanos. O termo “espongiforme” se refere às alterações que a doença causa no cérebro, que passa a apresentar um padrão esponjoso.
Segundo o site do Ministério da Saúde, os sintomas são variáveis e inespecíficos, podendo ser confundidos com demências e transtornos neurológicos progressivos como Alzheimer ou a doença de Huntington. O quadro inicial geralmente inclui demência associada a outros sinais neurológicos, como:

Desordem cerebral;
Perda de memória;
Tremores;
Ataxia (perda do equilíbrio motor) e afasia (dificuldade na fala);
Falta de coordenação motora;
Distúrbios visuais;
Espasmos musculares (mioclonia);
Alterações de comportamento.

O paciente apresenta uma piora rápida e progressiva após o início dos sinais e sintomas. Com a progressão do quadro, podem ocorrer ainda insônia, depressão, ataques epiléticos e paralisia facial.
Segundo a pasta, a degeneração progressiva das habilidades psicomotoras de pessoas acometidas pela DCJ é bem mais acelerada quando comparada com outras demências.
A forma mais comum de DCJ ocorre a uma taxa de 1 ou 2 novos casos por milhão de pessoas a cada ano em todo o mundo.
Segundo dados do Ministério da Saúde, entre 2005 e 2021, foram registradas no Brasil 1. 576 notificações de casos suspeitos da condição, com registros mais frequentes nas regiões Sul, Sudeste e Nordeste.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Botão Voltar ao Topo