Vacina da Pfizer contra VSR tem 70% de efetividade na prevenção de hospitalizações respiratórias em adultos

A vacina contra o Vírus Sincinal Respiratório (VSR) desenvolvida pela Pfizer apresentou efetividade de 70,3% contra hospitalização por doença respiratória relacionada ao vírus em adultos, segundo pesquisa realizada na Europa publicada na revista científica NEJM Evidence.
Além de ser a principal causa de infecções respiratórias graves e de bronquiolite em bebês e crianças pequenas, o VSR também pode causar complicações em adultos com 60 anos ou mais, especialmente entre aqueles que têm condições crônicas de saúde, como doenças pulmonares ou cardiovasculares.

Estima-se que adultos com insuficiência cardíaca, por exemplo, podem ter taxas de hospitalização por VSR cerca de oito vezes maiores do que as observadas em pessoas sem a condição.
O estudo acompanhou 513.358 adultos a partir de 18 anos na Dinamarca e na Espanha durante os períodos de circulação do vírus de 2024–2025 e 2025–2026. O nome da vacina é Abrysvo.

No primeiro ano, foram incluídos participantes com 60 anos de idade ou mais na Dinamarca, enquanto o segundo incluiu voluntários com 18 anos ou mais na Dinamarca e na Espanha.

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Segundo a pesquisa, a taxa de incidência de hospitalização por doença cardiorrespiratória relacionada ao VSR foi de 0,16 eventos por 1000 pessoas-ano no grupo das pessoas que receberam o imunizante.
Já entre quem não havia sido vacinado, houve 0,55 hospitalizações por 1000 pessoas-ano no grupo controle, o que corresponde a uma eficácia estimada da vacina de 70,3%.
A primeira etapa da pesquisa focou em idosos na Dinamarca, mas, como ocorreram menos eventos de hospitalização relacionados ao VSR do que o previsto, os pesquisadores decidiram ampliar o público e incluir adultos com 18 anos ou mais tanto da Dinamarca quanto da Espanha na segunda fase.

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“Em um estudo randomizado que incluiu uma expansão da amostra demográfica e geográfica durante uma segunda temporada de VSR, a vacina RSVpreF foi associada a uma menor incidência de hospitalização por doença do trato respiratório relacionada ao VSR em comparação com a ausência de vacinação”, escreveram os autores do estudo.
Proteção em duas temporadas de inverno
Na primeira etapa do estudo, os pesquisadores acompanharam 130.991 adultos com 60 anos ou mais na Dinamarca para receber uma única dose da vacina ou nenhuma dose, com o objetivo de avaliar a proteção em dois períodos consecutivos de circulação do VSR.
No segundo período, a efetividade estimada contra hospitalização por doença respiratória relacionada ao VSR foi de 56,2%, em comparação com 83,3% no primeiro período.

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Considerando as duas temporadas de inverno, a efetividade estimada da vacina foi de 70,6%.
Os resultados indicam que, entre adultos com 60 anos ou mais, a proteção contra hospitalização por doença respiratória relacionada ao VSR permaneceu observável durante um segundo período de circulação após uma única dose, embora a estimativa de efetividade tenha sido menor do que a observada no primeiro período.
Segundo Adriana Ribeiro, diretora médica da Pfizer Brasil, os dados foram obtidos em condições próximas à rotina dos serviços de saúde e podem auxiliar médicos e pacientes a discutirem a vacinação como parte do cuidado integral com o envelhecimento saudável.

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“Em adultos mais velhos e em pessoas com doenças crônicas, o VSR pode evoluir para quadros graves, como pneumonia, levar à hospitalização e agravar condições preexistentes. Por isso, a prevenção do VSR também é uma conversa sobre saúde do coração e parte relevante do cuidado dessaspessoas”, afirma.
Em 2025, a Sociedade Europeia de Cardiologia publicou um consenso clínico sobre vacinação como estratégia de prevenção cardiovascular, incluindo o VSR entre as infecções de interesse.

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O Colégio Americano de Cardiologia também publicou neste ano uma orientação sobre imunização de adultos como parte do cuidado cardiovascular, incluindo vacinas contra influenza, doença pneumocócica, covid-19, VSR e herpes-zóster.
VSR no Brasil
No Brasil, o vírus também representa uma importante causa de hospitalização entre idosos. Um estudo que analisou hospitalizações por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) associadas ao VSR em pessoas com 60 anos ou mais no Brasil entre 2013 e 2024 identificou 4.636 casos notificados no período.
A taxa de hospitalização passou de menos de 1 para mais de 15 por 100 mil ao longo do período, enquanto a mortalidade hospitalar aumentou, com taxas médias quase cinco vezes maiores após a pandemia.
A letalidade hospitalar variou entre 21% e 31% e foi maior entre pessoas com 80 anos ou mais. Quase um terço dos pacientes precisou de internação em UTI e 71% apresentavam pelo menos uma comorbidade.
Entre as condições preexistentes, as cardiovasculares foram as mais frequentes, presentes em 65% dos casos.
A vacinação é uma das estratégias preventivas disponíveis e deve ser considerada de acordo com as recomendações dos profissionais de saúde.
Medidas de higiene e etiqueta respiratória também são importantes para reduzir a transmissão do vírus, incluindo lavar as mãos com frequência, utilizar álcool em gel, cobrir nariz e boca ao tossir ou espirrar e evitar contato próximo com outras pessoas quando estiver com sintomas respiratórios.
Para quem a vacina é indicada?
Segundo bula disponível no site da Pfizer, a vacina Abrysvo indicada para:

Prevenção da doença do trato respiratório inferior e da doença grave do trato respiratório inferior causada pelo VSR em crianças desde o nascimento até os 6 meses de idade por imunização ativa em grávidas;
Prevenção da doença do trato respiratório inferior causada pelo VSR em indivíduos com 60 anos de idade ou mais por imunização ativa;
Prevenção, por meio de imunização ativa, de doenças do trato respiratório inferior causadas pelo VSR em indivíduos de 18 a 59 anos, desde que apresentem alto risco de desenvolver doença grave.

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