‘A Hipótese do Amor’ e a onda das mocinhas cientistas em comédias românticas

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A Hipótese do Amor, nova comédia romântica do Prime Video, reinventa o gênero ao colocar uma cientista como protagonista, desafiando clichês. O filme, baseado no fenômeno do TikTok, reflete uma tendência de ficção “Steminist” que celebra a inteligência feminina, mostrando que o amor e a carreira podem coexistir.

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Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.

A premissa é conhecida: dois personagens opostos fingem um relacionamento por conveniência e, inevitavelmente, se apaixonam. O clichê embala o filme A Hipótese do Amor (The Love Hypothesis, Estados Unidos, 2026), lançamento do Prime Video, mas com uma novidade refrescante para as comédias românticas: a mocinha não é uma jovem bobinha, mas uma doutoranda em biologia com outros interesses para além do amor. Interpretada por Lili Reinhart na pele da cientista Olive Smith, a produção adapta o livro de mesmo nome da autora e neurocientista italiana Ali Hazelwood, referência do que vem sendo chamado de ficção Steminist — união da palavra feminista em inglês e da sigla Stem, usada para designar cursos acadêmicos de ciência, tecnologia, engenharia e matemática. Nas tramas, o maior desafio da protagonista não é encontrar um parceiro, mas conseguir financiamento para pesquisas, vencer o machismo dos laboratórios e publicar artigos em revistas de prestígio. O amor deixa de ser uma tábua de salvação para virar uma equação extra a ser decifrada.
O livro de 2021 virou um fenômeno editorial impulsionado pelo Tik­Tok, onde conquistou jovens leitores de forma orgânica — no Brasil, passou de 1 milhão de cópias vendidas. Ali Hazelwood não parou de criar mocinhas nerds. Em Amor, Teoricamente, que também será adaptado pelo Prime Video, a heroína romântica é uma física teórica; em A Razão do Amor, o leitor acompanha uma neurocientista. Essas histórias representam uma boa guinada nos roteiros clássicos de romances nas telas e nos perfis das heroínas retratadas.

RESISTÊNCIA - Brie Larson em Uma Questão de Química: cientista se apaixona (Michael Becker/Apple TV/.)

Por muito tempo, mulheres cientistas eram raridade no cinema e na TV — o papel, aliás, costumava reduzir-se a homens excêntricos. Uma virada importante se deu na década de 1990, com a médica e patologista Dana Scully (Gillian Anderson), da cultuada série Arquivo X (1993-2002). A parceira do detetive Fox Mulder (David Duchovny) rompeu barreiras ao abraçar o ceticismo, o método e ser a voz da razão durante as investigações envolvendo a possível existência de vida fora da Terra. O impacto foi tão grande que surgiu um fenômeno batizado de “Efeito Scully”. Um estudo do Instituto Geena Davis revelou que 63% das mulheres que viram a série sentiram mais confiança em seguir uma carreira na área científica.

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Mais recentemente, em 2023, a minissérie Uma Questão de Química, do Apple TV, abriu as portas para o novo subgênero que mescla romance e ciência. Baseada na obra de Bonnie Garmus e estrelada por Brie Larson no papel da química Elizabeth Zott, a história se passa nos anos 1950 e retrata a luta de uma mulher para ser reconhecida por seu cérebro em uma academia hostil. A saída que ela encontra é trabalhar em um programa de culinária na TV para ensinar às donas de casa como usar a ciência na cozinha. No meio do caminho, ela se apaixona por outro químico brilhante, vivido por Lewis Pullman.

PIONEIRA - Cena de Arquivo X: personagem Dana Scully (à dir.) moldou geração (Fox/.)

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Faltava um exemplar ainda mais pop, lugar ocupado agora pelo despretensioso A Hipótese do Amor. Enquanto busca patrocínio para sua pesquisa, um exame rápido para detectar câncer de pâncreas, Olive se envolve com Adam Carlsen (Tom Bateman), professor conhecido por ser tirano com os alunos. Para a surpresa de Olive, ele aceita manter um namoro de fachada para beneficiar a reputação e a carreira de ambos — aparentemente, a relação o ajuda a passar a imagem de estabilidade que pode lhe garantir uma bolsa de pesquisa, enquanto ela se livra de uma amiga que se recusa a ficar com um paquera em comum. O envolvimento desencadeia uma série de situações cômicas e ilógicas à la Sessão da Tarde.
O que é bem lógico, contudo, é a ideia de que uma relação se desenvolva a partir da admiração intelectual de uma pessoa pela outra. Ao transformar congressos acadêmicos em cenários de paixão e microscópios em instrumentos de sedução, produções do tipo provam que o público feminino não quer mais escolher entre a carreira e o afeto. A comédia romântica se atualizou para espelhar a mulher do século XXI — mas não deixou de procurar a fórmula da paixão.

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Publicado em VEJA de 25 de setembro de 2026, edição nº 3014

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