Diretor de ‘Nosso Lar’ explica novo filme, ‘The Fox Sisters’: ‘Queremos corrigir a história’

Estreia desta quinta-feira, 24, The Fox Sisters é a nova aposta do diretor Wagner de Assis, mente por trás da saga milionária Nosso Lar e maior expoente do cinema espírita brasileiro. Desta vez, ele se debruça sobre a história real de três irmãs que fizeram fama no século XIX sob a promessa de que falavam com espíritos desde a infância — apelo que convenceu um grande séquito de admiradores, entre eles figurões da época como o autor Arthur Conan Doyle, criador de Sherlock Holmes. 

Quase dois séculos depois, contudo, Leah, Maggie e Kate Fox são mais lembradas como charlatãs: em 1888, afinal, a irmã do meio se apresentou perante plateia e demonstrou os métodos que utilizava para convencer as pessoas de que estava em contato com o além, desde uma maçã amarrada a um barbante até estalos nas juntas dos pés. Pouco depois, ela retraiu a confissão e se disse coagida, mas jamais retomou o respeito que a rendeu uma fortuna. 
Hoje, Assis pretende defender a honra e a credibilidade do trio, que encara como pioneiro do espiritismo moderno. Em entrevista a VEJA, ele argumenta a favor das garotas e explica por que optou por contar a história em inglês, com elenco composto por brasileiros e americanos: 

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Pesquisar a história das irmãs Fox é encontrar uma série de artigos que as acusa de charlatanismo. O que o convenceu que essas jovens estavam em contato real com espíritos? Esse é, justamente, um dos objetivos do filme. Queremos corrigir a história e assegurar ao público que nosso trabalho foi feito com base em uma pesquisa extensa e precisa, que passou por diversos livros, artigos e notícias da época. Fomos atrás de tudo o que pudemos encontrar sobre elas. É categoricamente falso que elas tenham sido farsantes ou golpistas. Em vez disso, a história delas é muito importante para a ascensão e a permanência do espiritismo ao redor do mundo, e essa é a hora certa para que reconheçamos a relevância destas mulheres do século XIX.

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Qual o efeito que espera que o filme tenha no público? É uma oportunidade de não julgar o passado com um olhar de hoje. Espero que as pessoas parem de mergulhar na internet e que vão às sessões de cinema, para conhecer as Fox na tela grande. A partir daí, cada um pode ajustar sua própria visão sobre as garotas.
O filme foi feito no Rio de Janeiro, mas é protagonizado por americanas e tem diálogos em inglês. Por que não contar essa história em português? Pensei nisso inicialmente, mas essa é uma história dos Estados Unidos. É, em primeiro lugar, uma trama que pode estabelecer comunicação com o público americano e, depois, extrapolar outras fronteiras. A decisão de contá-la em inglês veio também do respeito à realidade. Chamar atrizes estrangeiras foi a solução mais fácil para que o filme fluísse como deve e fosse uma recriação de época convincente. Rapidamente, esse elemento se tornou indispensável. 

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Como foi a colaboração com Jamie Hughes, Sionne Elise e Marie McHugh? Elas me ajudaram muito durante o processo. Revisamos o roteiro juntos e quebramos a cabeça para estabelecer como elas poderiam falar e se portar da forma mais natural. É óbvio que sou brasileiro e tenho limitações quanto ao domínio da cultura americana, então as respeito muito e me apoiei nelas. Acredito que tenha valido a pena. Para mim, o resultado na tela é perfeito.
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