Medicamento mais antigo e barato para diabetes continua imbatível nas diretrizes médicas

Ler Resumo

A nova diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) reafirma a metformina como o primeiro medicamento a ser considerado no tratamento do diabetes tipo 2. Mesmo com a ascensão de novas terapias, o fármaco tradicional, com mais de 60 anos de uso, mantém sua posição central, sendo a base para combinações eficazes e protegendo contra riscos cardiovasculares e renais, incentivando a leitura completa da matéria.

Este resumo foi útil?

👍👎

Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.

Nos últimos anos, o noticiário sobre diabetes e obesidade parece girar em torno de uma única sigla: GLP-1. Canetas emagrecedoras, injeções semanais, duplos agonistas… A sensação é a de que o tratamento do diabetes tipo 2 virou sinônimo de “a última novidade da indústria farmacêutica”.
Pois a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) acaba de publicar a atualização de sua diretriz de manejo do diabetes tipo 2, revisada em agosto deste ano, e o resultado surpreende quem imaginava que a metformina — comprimido usado há mais de 60  anos — havia virado coadjuvante.

Não virou. Ela continua sendo, com a recomendação de maior força científica que existe (o chamado nível de evidência mais alto), o primeiro remédio a ser considerado ou prescrito assim que o diagnóstico de diabetes tipo 2 é feito.

A recomendação vale para praticamente todo mundo: pessoas recém-diagnosticadas, com função dos rins preservada ou pouco comprometida, devem iniciar a metformina desde o primeiro dia de tratamento, junto com as mudanças de estilo de vida. É a mesma lógica adotada por diretrizes internacionais, e o motivo é simples: poucos remédios reúnem tanta eficácia, segurança comprovada por décadas de uso, baixo custo e efeitos colaterais previsíveis e bem administráveis.
A nova diretriz e as combinações terapêuticas
O que há de novo, então? A atualização deixa claro algo que muitos pacientes — e até alguns médicos menos atualizados — ainda confundem: a chegada dos inibidores de SGLT2, dos agonistas de GLP-1 e da tirzepatida não substitui a metformina, mas se soma a ela.

Continua após a publicidade

O documento organiza o tratamento em combinações — duplas, triplas e até quádruplas — e, olhando essas combinações com atenção, um dado chama a atenção: mesmo nos pacientes classificados com risco cardiovascular e renal alto ou muito alto, aqueles com histórico de infarto, AVC, doença renal mais avançada ou vários fatores de risco somados, a combinação de metformina com um SGLT2, um GLP-1 ou a tirzepatida continua sendo uma das opções recomendadas pela diretriz.
Ou seja: a metformina não sai de cena quando o risco cardiovascular aumenta. Ela permanece na receita, lado a lado com os medicamentos mais novos.

Continua após a publicidade

Isso faz sentido quando se olha para as evidências reunidas pelo próprio documento. Um estudo clássico, que acompanhou por mais de dez anos pessoas com diabetes tipo 2 recém-diagnosticado e excesso de peso, mostrou que quem usou metformina teve 42% menos mortes relacionadas ao diabetes e 36% menos mortes por qualquer causa, em comparação ao tratamento convencional da época.
Décadas depois, uma análise em cima de dezessete revisões da literatura científica confirmou o achado: pessoas em uso de metformina apresentaram menor mortalidade cardiovascular e menor número de eventos cardiovasculares do que quem não usava o remédio.

Continua após a publicidade

Outra análise recente, que comparou o efeito de diferentes classes de antidiabéticos sobre desfechos cardiovasculares graves, mostrou algo notável: a redução de risco associada à metformina teve magnitude semelhante à observada com os GLP-1, os SGLT2 e a pioglitazona — famílias de medicamentos muito mais caras e “badaladas”.
Isso não quer dizer que a metformina vá competir de igual para igual com essas classes em todos os cenários. Nos pacientes de risco cardiovascular e renal elevado, a diretriz é enfática ao recomendar que um inibidor de SGLT2 seja iniciado independentemente do nível de açúcar no sangue, justamente pelo benefício comprovado na redução de eventos cardíacos e na proteção dos rins.

Continua após a publicidade

Para quem tem obesidade associada, os GLP-1 e a tirzepatida ganham prioridade pelo efeito sobre o peso. O ponto central da atualização, porém, é que essas recomendações não substituem a metformina — elas se somam a ela, que segue como a base sobre a qual o restante do tratamento é construído. É o que os médicos chamam de terapia combinada, cada vez mais central na diretriz de 2026.
Pontos de atenção
Do ponto de vista prático, dois cuidados merecem atenção de quem usa o remédio há anos. O primeiro é a função renal: a dose de metformina precisa ser reduzida pela metade quando a filtração dos rins cai a determinados níveis, e o remédio deve ser suspenso se a queda for mais acentuada, pelo risco — raro, mas grave — de acidose láctica.

Continua após a publicidade

O segundo é a vitamina B12: o uso prolongado da metformina pode reduzir sua absorção, e a diretriz recomenda dosá-la anualmente a partir do quarto ano de tratamento, repondo quando necessário.
Dito isso, a nova diretriz nacional nos mostra que, em meio a tantos lançamentos, aplicativos e canetas semanais, o remédio mais simples e mais barato do consultório do endocrinologista continua indicado para quase todo perfil de paciente com diabetes tipo 2 — inclusive, e sobretudo, para aqueles que mais precisam de proteção cardiovascular.
A novidade de 2026 não é a substituição da metformina, mas o que se adiciona a ela no tratamento: o comprimido ganhou parceiros mais potentes, sem perder o posto de titular do time.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Botão Voltar ao Topo