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O semanário desportivo Desafio, propriedade da Sociedade do Notícias, celebra, em Julho próximo, 40 anos após a primeira publicação, a 24 de Junho de 1987. Pretesto para uma série de “Conversas Com As Nossas Estrelas” e para a sessão inaugural, nada mais, nada menos que uma palestra de Chiquinho Conde, antigo futebolista e actual seleccionador nacional.
“Futebol profisssional: a experiência de Chiquinho Conde” foi o tema proposto ao capitão dos “Mambas”, não fosse ele o primeiro futebolista moçambicano a transferir-se legalmente para o estrangeiro no período pós-independência nacional. Do Maxaquene, em 1987, foi ao Belenenses, de Portugal, país com o qual smepre sonhou desde a meninice nos campos improvisados da cidade da Beira, onde nasceu e iniciou uma carreira desportiva que incluiu também a prática do atletismo e basquetebol.
A família “humilde” foi a base de tudo, tal como faz questão de nos recordar: “Vim de uma família humilde, com princípios muito rígidos. Os meus pais eram assimilados e, se vocês perceberem, a minha pronúncia não é tão vincada como à da Beira. Porque os meus pais não deixavam falar a língua nativa, mas eles falavam. E também estarei sempre grato aos meus progenitores e aos meus irmãos, porque foram eles que trilharam esse caminho.
Eu simplesmente peguei na ferramenta em que eles me facultaram para que eu pudesse, a meu bel-prazer, enaltecer e levar o nome da minha família. Venho de uma família humilde, sou o sétimo de oito filhos da Dona Josefa de Jesus Palma Pinto. Veja só, uma junção de Palma Pinto e Conde, duas famílias ligadas ao desporto. Os meus irmãos foram a referência maior daquilo que eu sou hoje”.
A prática desportiva esteve sempre associada à escola. “Estudei até ao terceiro ano da Escola Industrial, sou mestre de obras, fiz atletismo, a minha primeira modalidade, depois joguei basquetebol, até os meus colegas diziam que eu era melhor jogador de basquetebol do que de futebol, mas eu sabia perfeitamente que com 1,70 metros dificilmente teria muito futuro na carreira profissional. E enveredei pelo futebol.
Lembro-me de carregar as botas na mão assistindo aos jogos do meu irmão Orlando, que era um craque, que é o meu ídolo”. Antes mesmo de transferir- -se para o Maxaquene, foi chamado à Selecção Nacional, por Belmiro Manaca Dias, após uma campanha brilhante pelo Palmeiras da Beira. “Eu fui o melhor marcador no Palmeiras da Beira. Fomos campeões provinciais. E ele acompanhava-me sem eu perceber…Fui sempre uma pessoa muito irreverente”. .Leia mais…