Da rotina em família aos negócios, passando por relacionamentos, viagens e momentos íntimos. Quase tudo vira conteúdo nas mãos de Virginia Fonseca. O fenômeno, no entanto, não é exclusividade da influenciadora, mas sim um sinal de uma mudança mais profunda da sociedade com a própria imagem, e que ajuda a explicar por que influenciadores se tornaram figuras centrais da cultura atual.
Autora do livro O show do eu: a intimidade como espetáculo (ed. Contraponto), a antropóloga Paula Sibilia explica que os influenciadores são resultado de uma transformação que converteu corpos em imagens, o “eu” em marca e a vida em espetáculo. “Não é algo que se possa sintetizar em numa frase ou duas, sob o risco de simplificar demais processos complexos, mas podemos dizer que os ‘influencers’ de hoje em dia são produto dessa transformação do mundo em espetáculo, e de qualquer um de nós em imagens capitalizáveis”, afirma a pesquisadora à coluna GENTE.
Segundo Sibilia, não foram apenas os telefones celulares e as redes sociais que provocaram essa transformação. “Houve, também, na virada do século XX para o XXI, importantes mudanças socioculturais, políticas e econômicas, que tornaram tudo isso possível, desejável e até aparentemente inevitável”, defende.
(Agora a coluna GENTE também está no Instagram. Siga o perfil @veja.gente)
Continua após a publicidade
Em seu livro mais recente, Eu mereço! Da velha hipocrisia aos novos cinismos (ed. Ubu), a pesquisadora amplia a análise para as transformações nos valores que orientam a sociedade. “A crescente espetacularização e mercantilização de nossas vidas responde a essas mudanças históricas, que prometem liberdade individual na busca de autorrealização e sucesso, mas costumam gerar frustração e sofrimento, ódio e isolamento, ao restringir tudo à mera lógica do consumo”, pontua.
Assim, para Sibilia, o fenômeno dos influenciadores não pode ser entendido apenas como um produto das redes sociais. Eles são, também, expressão de uma sociedade cuja vida passou a ser convertida em imagem, marca e mercadoria.
Continua após a publicidade