Autismo: até 69% das crianças têm seletividade alimentar; guia inédito traz orientações

Ler Resumo

O guia “Meu filho não come”, da Autistas Brasil, aborda a seletividade alimentar em crianças com autismo, um desafio comum que afeta até 69% delas. O material desmistifica o tema, explicando que não é birra, mas sim uma questão sensorial ligada a texturas, cores e aromas. Oferece 20 recomendações práticas e um olhar sensível, incentivando refeições acolhedoras.

Este resumo foi útil?

👍👎

Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.

Os pais e cuidadores de crianças que vivem com o transtorno do espectro autista (TEA) conhecem os desafios de lidar com a seletividade alimentar e se reinventam a todo momento. Essa não é uma questão de gostar ou não de determinados alimentos e também não é algo raro: estudos indicam que entre 23% e 69% das crianças autistas apresentam esse tipo de recusa de forma significativa.
Esses dados e as estratégias para tornar as refeições mais acolhedoras fazem parte do guia inédito “Meu filho não come — Entendendo a seletividade alimentar no autismo”, uma iniciativa da entidade Autistas Brasil, apresentada antecipadamente para VEJA.

A partir de pesquisas e avaliação de casos reais, o material destrincha as restrições com um olhar sensível à neurodiversidade e traz o entendimento de que não se trata de birra, falta de educação ou problemas com limites dados pelos pais.

“A gente não pensou em assumir o lugar de um nutricionista para ver a alimentação mais adequada, mas auxiliar os pais em relação aos erros disseminados na internet e que acabam atrapalhando”, explica Guilherme de Almeida, presidente da Autistas Brasil e autor da cartilha.
Os dados da literatura mostram que as crianças autistas podem rejeitar 42% dos alimentos e ter um repertório médio que inclui 19 itens. No Brasil, os números são parecidos: restrição a 44% das refeições e repertório com 17 itens.

Continua após a publicidade

No material, que conta com 20 recomendações práticas para aplicar nas refeições, é apresentada a noção de que não só o alimento pode causar repulsa. Há nuances envolvidas que devem ser compreendidas e não julgadas.
Isso pode estar ligado às percepções sobre texturas, cores, aromas, temperaturas e até se a comida faz algum barulho, como o que pode ocorrer em alimentos crocantes.
“A seletividade alimentar é muito típica do autista por uma questão sensorial e o objetivo é abordar essa questão que angustia tanto os pais e que pode gerar depressão e ansiedade nas famílias.”

Continua após a publicidade

São lembrados também aspectos do próprio organismo da criança que podem interferir, como dificuldades de mastigação e deglutição, problemas gastrointestinais e questões de regulação da fome e da saciedade.
Acolhimento e orientações
Ao longo dos capítulos, o guia aponta caminhos para facilitar a relação das crianças com a comida sem a pressão para comer e com o cuidado de mostrar que as refeições podem ser momentos não só de nutrição, mas de vivências baseadas em paciência e compreensão. Além disso, comer pode ser divertido e trazer boas experiências.
Assim, as dicas não se limitam ao prato. Abordam a inclusão da criança no preparo dos pratos e apresentação das comidas sem cobranças e castigos nem mentiras. E pode, sim, “brincar” com a comida. Isso quer dizer olhar, tocar, cheirar e experimentar.

Continua após a publicidade

O respeito norteia a cartilha, que dá recomendações sem aumentar o trabalho empenhado na preparação das refeições, porque se baseia na realidade das famílias. Ou seja, não determina cardápios, mas a adaptação ao que já é ofertado em casa.
“É preciso ter a sensibilidade de compreender que as pessoas são diversas e as realidades também, porque vivemos em um país desigual e as possibilidades nutricionais são diferentes”, explica Almeida.
Mesmo assim, não permite que as famílias deixem de conhecer conceitos importantes e ligados à preservação da saúde, como o Transtorno Alimentar Restritivo/Evitativo, conhecido pela sigla ARFID, que pode causar perda de peso, deficiência de nutrientes e necessidade de suplementação.

Continua após a publicidade

O guia é gratuito e pode ser acessado aqui.
Veja cinco orientações do guia

Crie um ambiente tranquilo, reduzindo os estímulos durante as refeições
Mantenha horários regulares
Utilize utensílios adequados ao perfil sensorial da criança, como pratos com divisórias
Garanta a presença de pelo menos um alimento que a criança aceita e gosta
Ofereça o mesmo alimento de formas diferentes

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *