A máquina da inteligência artificial já está entre os médicos

Difícil imaginar sentimentos e sensibilidade afetiva em uma máquina. Na brilhante trama “Inteligência Artificial” acontece de tudo isso um pouco. Uma criança-robô tem que ser abandonada, mas isso mexerá com os “sentimentos” do seu sistema operacional.
A inteligência artificial já é o presente e não mais uma promessa de futuro. Já não se questiona mais se ela chegará, mas como aprenderemos a conviver com ela e a utilizá-la de forma responsável. E como a profissão dos médicos será vista e conduzida daqui para a frente? Diversas especialidades já aparentam desaparecer e sucumbir aos softwares.

À medida que, nós médicos, alimentamos os sistemas, seja com laudos de imagens, comprovação do laudo após uma cirurgia, prescrições médicas e evoluções, resultados de exames e condutas, exame clínico, físico e conclusões de casos e filmagens de procedimentos dos mais diversos, bem como cirurgias, os HDs terão tudo que precisam para pensar, concluir e conduzir o caso.
A pergunta é: essa inteligência alimentada por nós terá muito mais dados na média do que um ser humano/médico normal. Será possível substitui-lo? Os médicos, assim como os robôs do filme, irão para o desmanche e teremos uma robotização da medicina? Será a obsolescência do humanochamado médico?

Para algumas especialidades, parece que sim. Não há como competir, por exemplo, na habilidade e memória visual de uma máquina bem e criteriosamente alimentada de informações quando avaliamos um exame de imagem.

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Por mais que o ser humano médico tenha a vivência, seu concorrente terá analisado milhares, talvez milhões de situações a mais do que ele e ainda com a vantagem desses laudos terem sido discutidos e revisados por outros milhares de médicos.
A própria conduta médica hoje busca os recursos da IA, pois nela estão os resumos e guias de orientação do que devemos fazer e prescrever. Com aquantidade de informações que existem hoje, não tem como o médico estar totalmente atualizado. A velocidade como tudo muda é difícil de acompanhar.
Máquinas já invadem áreas como da dermatologia fazendo diagnósticos, biópsias, laudos e tratamentos. Nas áreas que dependem da habilidademanual dos cirurgiões e daqueles que fazem as mais diversas intervenções, os ciborgues ainda estão se movendo lentamente, pois os humanos chamados de engenheiros ainda não chegaram à perfeição humana retratada nos filmes, mas seguem em direção a isso.

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E as informações de como conduzir o caso já estão armazenadas nos HDs. A ficção científica disso tudo já é uma realidade, faltando apenas alguns ajustes. Ainda existem erros e necessidade de uma retroalimentação feita de forma técnica, supervisionada e revisada.
Hoje, ainda somos nós que a alimentamos com pesquisas, condutas, erros e acertos, mas a IA também já pensa e segue seus caminhos, emborasempre dependa de novas informações trazidas de um HD muito sofisticado chamado cérebro.
No filme, esse menino robô e seus sentimentos vivenciam diversas experiências na busca para se tornar humano, como na história do Pinóquio.Nós, médicos, não nos tornaremos robôs, mas teremos que saber lidar e conviver com eles.

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Eles poderão substituir as tarefas que não exigem julgamento genuinamente humano, mas continuarão incapazes de assumir o que define a medicina: ter um vínculo, compreender o paciente, conquistar confiança e assumir responsabilidade pelas escolhas.
O cuidado com o paciente ainda é a nossa melhor “arma” para equilibrarmos essa guerra que tem que ser construída para que não tenha vencedores e, sim, aliados.

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