SAÚDE E BEM ESTAR

Esclerose múltipla: adolescentes ganham nova opção de tratamento no Brasil

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou na segunda-feira, 20, a ampliação do uso do medicamento ocrelizumabe para pacientes com 12 anos ou mais com esclerose múltipla remitente-recorrente (EMRR), a forma mais comum dessa doença autoimune que, a longo prazo, pode limitar a mobilidade e independência de milhões de pessoas em todo o mundo.
A decisão amplia as opções terapêuticas para essa faixa etária no Brasil, além de permitir a intervenção precoce em uma condição neurológicacrônica. Segundo a farmacêutica Roche Farma Brasil, que comercializa o remédio sob o nome Ocrevus, o fármaco passa a ser a primeira terapia de alta eficácia aprovada para adolescentes no país. Além da idade, os pacientes também devem ter peso corporal igual ou superior a 40 kg.

A EMRR se apresenta em relapsos (ou surtos), intercalando fases em que o paciente não sente incômodo algum e períodos em que os sintomas voltam ou mesmo pioram. A doença pode provocar visão embaçada, formigamento, fraqueza muscular, dificuldade para caminhar, alterações de equilíbrio e fadiga intensa. Ainda não há cura para a condição e o controle é feito por medicamentos que retardam as crises.
Como age o ocrelizumabe
O produto é um anticorpo monoclonal, um tipo de medicamento biológico desenvolvido para agir de forma direcionada no sistema imunológico. Na esclerose múltipla, algumas células de defesa, chamadas células B, passam a atacar por engano a bainha de mielina, a camada que protege os neurônios e permite a transmissão adequada dos impulsos nervosos.

Ao reduzir a ação dessas células, o tratamento ajuda a controlar a inflamação e a retardar a progressão da doença. O medicamento reconhece uma proteína chamada CD20, presente na superfície das células B, e se liga a ela para eliminá-las temporariamente da circulação.

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Como atua apenas nesse grupo específico de células, preserva outras estruturas importantes do sistema imunológico, como as células-tronco e as células de memória. Dessa forma, consegue reduzir a atividade da doença sem comprometer de forma significativa a capacidade do organismo de responder a infecções.
Segundo a Roche Farma Brasil, a aprovação regulatória da nova indicação do remédio para pacientes a partir de 12 anos foi baseada em dados de estudos clínicos que avaliaram a eficácia e a segurança do medicamento na população pediátrica.
No cenário internacional, a Food and Drug Administration (FDA), agência regulatória dos Estados Unidos, aprovou a indicação de ocrelizumabe para pacientes pediátricos em maio de 2026, com base em dados que demonstraram redução significativa na taxa anual de surtos e no controle de lesões cerebrais ativas detectadas por ressonância magnética.

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